Comboio militar israelense foi atingido ao sul da Linha Azul, que separa territórios do Líbano e de Israel. Forças israelenses revidaram disparando projéteis em zonas libanesas, onde a missão da ONU atua.

Oficiais da Força da ONU no Líbano verificam demarcação da Linha Azul. Foto: UNIFIL
A coordenadora especial da ONU para o Líbano, Sigrid Kaag, expressou sua preocupação, nesta segunda-feira (4), quanto ao risco de uma escalada de tensões entre o país e Israel, após veículos do exército israelense terem sido atacados ao sul da Linha Azul, na região das Fazendas de Shebaa. Após a agressão, forças de Israel revidaram com artilharia, disparando projéteis nos territórios libaneses de Kafr Chouba, Abbasiva e Bastara, dentro da zona de operações da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL).
Apesar dos confrontos, não foram informadas mortes, nem casos de ferimentos à ONU. Kaag apelou a todas as partes para que cumpram suas obrigações de acordo com a resolução 1701 do Conselho de Segurança, o qual estabeleceu, em 2006, um cessar-fogo entre as forças combatentes da guerra entre Israel e o Hezbollah. A coordenadora afirmou ter conversado com lideranças regionais e destacado os perigos representados pelas tensões para a estabilidade do Líbano. Erros de cálculo podem levar a uma séria deterioração da situação, segundo Kaag.
“A necessidade do momento é manter a vigília de segurança e exercitar o máximo de restrição contra qualquer provocação”, afirmou o comandante da UNIFIL, Luciano Portolano. Depois dos ataques, a Força das Nações Unidas reforçou sua presença no terreno e intensificou as patrulhas ao longo de sua área de operações, em coordenação com o Exército Libanês. Portolano também disse que a tranquilidade já foi reestabelecida nas regiões dos ataques e que as partes interessadas reafirmaram seu compromisso em manter o cessar-fogo. A UNIFIL vai investigar os incidentes.
A coordenadora da ONU para o Líbano também destacou que uma escalada de tensões pode ameaçar a estabilidade da Linha Azul, demarcação definida originalmente em 2000, pelas Nações Unidas e por forças israelenses e libanesas. O traçado foi determinado com o objetivo de confirmar a retirada das tropas de Israel do território do Líbano.