ONU usa drones para proteger civis na República Democrática do Congo

“Esta é a primeira vez na história da ONU que uma ferramenta tecnológica tão avançada está sendo usada em uma missão de paz”, disse o subsecretário-geral para Operações de Paz, Hervé Ladsous.

Ladsous inspeciona um dos drones usado na República Democrática do Congo. Foto: MONUSCO/ Sylvain Liechti

As Nações Unidas lançaram nesta terça-feira (3) aviões não tripulados para aumentar a proteção de civis no leste da República Democrática do Congo. O lançamento inédito foi acompanhado por funcionários da Organização, autoridades do governo e jornalistas.

“Esta é a primeira vez na história das Nações Unidas que uma ferramenta tecnológica tão avançada está sendo usada em uma missão de paz”, ressaltou o subsecretário-geral para Operações de Paz, Hervé Ladsous, em Goma, capital de província de Kivu do Norte.

“A ONU precisa usar esse tipo de ferramentas para melhorar o desempenho de seu trabalho”, acrescentou. Uma das principais tarefas da Missão de Estabilização da ONU no país, conhecida como MONUSCO, é proteger os civis.

Ladsous disse também que a implantação das aeronaves, autorizada pelo Conselho de Segurança da ONU, ainda está evoluindo, mas, em um primeiro momento, serão usados dois drones. O objetivo é monitorar todo o território das províncias em conflito do país.

Um dos desafios da missão da ONU é a falta de “multiplicadores de força”, como helicópteros militares. Segundo a MONUSCO, os novos aviões, ou drones, vão aumentar a cobertura de suas operações.

“Com este tipo de equipamento, vamos ser capazes de combinar informações recolhidas em voo com aquelas obtidas em terra”, disse o comandante da força militar da MONUSCO, o  brasileiro e general de divisão Carlos Alberto dos Santos Cruz.

“[Com os drones] pode-se observar os movimentos dos grupos armados, movimentos da população, pode-se até mesmo ver as armas transportadas por pessoas em terra e também é possível ver as pessoas em áreas florestais”, disse, acrescentando que as imagens podem ser feitas a até 3 km de altitude.

Ele ainda afirmou que as aeronaves já provocaram efeitos. Embora os acordos para a rendição dos membros do M23 já estejam em andamento, o recente aumento nas deserções do grupo poderia ser consequência de um aumento da força da missão através de melhora da tecnologia dos equipamentos utilizados em combate.