OPAS: Brasil vai investigar outras consequências do vírus zika em bebês, além da microcefalia

Outras complicações associadas ao zika poderiam afetar o desenvolvimento de crianças de até cinco anos de idade, prejudicando sua visão e audição. Ministério da Saúde informou em Genebra que vai monitorar casos.

Aedes aegypti é principal transmissor do zika, da dengue e da chikungunya. Foto: UNICEF/Ueslei Marcelino

Aedes aegypti é principal transmissor do zika, da dengue e da chikungunya. Foto: UNICEF/Ueslei Marcelino

Em visita a Genebra para a 69ª Assembleia Mundial da Saúde, o ministro da Saúde brasileiro, Ricardo Barros, afirmou que o Brasil vai investigar diferentes consequências da infecção por zika em bebês. Além da microcefalia, outras complicações neurológicas associadas ao vírus poderiam afetar o desenvolvimento das crianças de até cinco anos de idade.

Em encontro com as diretoras da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa F. Etienne, e da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margaret Chan, o chefe da pasta federal explicou que o próxima passo será definir as instituições responsáveis por acompanhar casos de bebês cujas mães tenham apresentado sintomas de zika.

O monitoramento permitirá detectar possíveis prejuízos na audição e visão das crianças — que poderiam ser provocados pelo vírus.

Barros também expôs dados que revelam as baixas tas de transmissão de dengue e outras doenças causadas pelo Aedes aegypti no Brasil durante agosto — quando acontecerão as Olimpíadas no Rio de Janeiro.

“Além disso, estamos tomando medidas específicas para o controle vetorial, o que me permite afirmar que os Jogos Olímpicos serão realizados de forma segura para toda a família olímpica e todos os visitantes. Esperamos recebê-los com grande entusiasmo no Rio de Janeiro”, enfatizou.

O ministro explicou que, no Brasil, foram implementadas ações como o fortalecimento da vigilância e o desenvolvimento de novas tecnologias para combater a proliferação dos mosquitos. Outro pilar importante, segundo Barros, é a pesquisa de novas vacinas contra o zika.

“Reconhecemos o papel desempenhado pela OPAS e pela OMS em ações conjuntas com o Brasil na resposta ao zika, uma emergência de saúde pública que já afeta 60 países e territórios e expõe 1,3 milhão de pessoas, 15% delas brasileiras. Nos próximos dias, teremos a oportunidade de discutir e continuar compartilhando informações sobre a resposta a essa emergência”, disse Barros.

Em outro evento da Assembleia, o especialista em vigilância Alexander Fonseca afirmou que saneamento básico, gestão de resíduos e água são desafios ao controle de mosquitos em algumas regiões — uma batalha travada há décadas pelo Brasil contra espécimes como o Aedes.