OPAS e especialistas querem ‘comida de verdade’ na mesa dos brasileiros

Em evento do XIV Encontro Nacional da Rede de Alimentação e Nutrição do SUS, o representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Joaquín Molina, alertou para a epidemia de obesidade que afeta a população mundial. No Brasil, a agência da ONU ajudou o governo a desenvolver um guia prático sobre alimentação saudável. Material inspirou curso com a chef Rita Lobo.

Alimentação deve ser rica em alimentos 'in natura', como frutas e vegetais. Foto: Agência Brasil

Alimentação deve ser rica em alimentos ‘in natura’, como frutas e vegetais. Foto: Agência Brasil

Em Brasília, durante evento do XIV Encontro Nacional da Rede de Alimentação e Nutrição do SUS na terça-feira (4), o representante da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Joaquín Molina, alertou que o mundo vive uma “dramática epidemia de obesidade“. Atualmente, 1,9 bilhão de pessoas são afetadas por sobrepeso. Desse contingente, 600 milhões são consideradas obesas.

No Brasil, dados de 2014 indicavam que a população acima do peso ideal já chegava a 52,5%. No mesmo ano, o Ministério da Saúde com apoio da OPAS publicou o Guia Alimentar para a População Brasileira.

O material inspirou o curso “Comer de Verdade” — ministrado para o público no evento da terça-feira pela chef e apresentadora do programa Cozinha Prática no GNT, Rita Lobo. A palestra contou com a participação também do professor da Universidade de São Paulo (USP), Carlos Augusto Monteiro.

“Fizemos o curso para explicar o que é alimentação saudável e propor soluções para todos os obstáculos, como a pessoa que mora sozinha ou as famílias que acreditam ser da mulher a responsabilidade pela alimentação de todos. Sabemos que é inviável uma só pessoa ser responsável pela alimentação da família toda”, disse Rita.

Ao longo do processo de construção do Guia Alimentar, os especialistas identificaram que em todas as regiões brasileiras as pessoas com padrões mais próximos da alimentação tradicional eram as que se alimentavam melhor e tinham melhores condições de saúde, explicou Carlos.

“Quando identificamos que eram esses alimentos minimamente processados que deviam ser a base da alimentação saudável, constatamos que a maioria desses alimentos precisam ser preparados, cozinhados. E aí verificamos uma necessidade muito grande de o Guia valorizar as preparações culinárias e identificar os obstáculos para que as pessoas cozinhem mais e comam comidas preparadas por outros seres humanos e não máquinas”, afirmou.

Também presente no evento, o ministro da Saúde do Brasil, Ricardo Barros, disse que o governo tem dado maior ênfase à prevenção. “Melhor do que ser muito bem atendido em um posto de saúde é não precisar ir lá. Então, a alimentação saudável e o exercício físico são a base dessa prevenção e promoção da saúde. Precisamos ensinar as crianças a manipular os alimentos, a descascar mais e desembalar menos”,

Alimentos naturais

A Organização Mundial da Saúde (OMS) define como alimentos in natura aqueles obtidos diretamente de plantas ou de animais e adquiridos para consumo sem que tenham sofrido qualquer alteração após deixarem a natureza, como folhas e frutos ou ovos e leite.

Alimentos minimamente processados são alimentos in natura que foram submetidos a alterações mínimas, a exemplo dos grãos secos polidos ou moídos na forma de farinhas, cortes de carne resfriados ou congelados e leite pasteurizado.

Os processados — queijo, pães, geleias, frutas em calda — são produtos relativamente simples, fabricados essencialmente com a adição de sal ou açúcar ou outra substância de uso culinário, como óleo, a um alimento in natura ou minimamente processado. Devem ser consumidos em pequenas quantidades e como ingredientes ou parte de refeições baseadas em alimentos naturais ou processados em menor escala.

Outro hábito considerado essencial pela OMS e a OPAS é evitar os alimentos ultraprocessados, que estão fortemente associados a sobrepeso, obesidade e doenças crônicas não transmissíveis. Entre eles, estão vários tipos de biscoitos, sorvetes, misturas para bolo, barras de cereal, sopas, macarrão e temperos “instantâneos”, salgadinhos “de pacote”, refrescos e refrigerantes, iogurtes e bebidas lácteas adoçadas e aromatizadas.