OPAS: inovações de saúde devem ir além de objetivos mercadológicos

Publicação da OPAS/OMS no Brasil sobre pesquisa em saúde recomendou que os investimentos em desenvolvimento do setor sejam voltados para as reais necessidades e interesses da sociedade.

Os defeitos de nascimento têm um enorme impacto humano, social e econômico, afirmou a diretora da OPAS/OMS, Carissa F. Etienne. Foto: Ministério da Saúde/Creative Commons

OPAS/OMS destacou importância de investimento em pesquisa na saúde, uma vez que setor é dinâmico, devido ao frequente surgimento de novas doenças. Foto: Ministério da Saúde/Creative Commons

Pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) na saúde não devem levar em consideração apenas objetivos financeiros e mercadológicos, mas também a saúde pública, segundo a publicação “PD&I: o uso racional ‘nasce’ antes do medicamento”, lançado neste mês pela representação da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil.

A pesquisa e a inovação devem considerar objetivos como permitir que os pacientes recebam medicamentos apropriados a suas necessidades clínicas, em doses adequadas às particularidades individuais, por período de tempo adequado e com baixo custo, afirmou o documento.

A publicação integra a série “Uso Racional de Medicamentos: fundamentação em condutas terapêuticas e nos macroprocessos da Assistência Farmacêutica”, que tem o objetivo de fornecer aos profissionais, gestores e usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) informações confiáveis com base nas melhores evidências científicas disponíveis.

O texto afirma ser necessária uma constante inovação no setor, uma vez que a situação de saúde de uma população possui caráter dinâmico, com o surgimento de novas doenças, o  ressurgimento de antigas, a resistência microbiana, as mudanças de hábitos e padrões de vida.

Além disso, os cenários produtivo e mercadológico são repletos de incertezas, com medicamentos de alto custo, doenças negligenciadas, dependência do mercado externo, remédios de baixa qualidade e com pouca efetividade e segurança, o que exige contínuo avanço  do “arsenal” farmacoterapêutico disponível.

De acordo com o consultor nacional de desenvolvimento e inovação tecnológica em saúde da OPAS/OMS, Felipe Dias Carvalho, indústrias “por vezes voltam seus esforços de PD&I para nichos de mercado, focando doenças, agravos ou parcelas da população que possam representar um público consumidor e gerador de lucro para a companhia, deixando em segundo plano as reais necessidades e o interesse da sociedade”.

Segundo Carvalho, para racionalizar o uso de tecnologias e fazer frente a esforços distorcidos de pesquisa, é fundamental o papel do Estado como “ente catalisador” para atender as demandas sociais por tecnologias de saúde, mobilizando sua estrutura de gestão e de universidades, instituições de pesquisa, laboratórios, reguladores, agências de fomento.

A versão completa da série “Uso Racional de Medicamentos: fundamentação em condutas terapêuticas e nos macroprocessos da Assistência Farmacêutica” pode ser acessada no site da OPAS/OMS.