Em vinte e um países das Américas, doença ainda é endêmica. Duas nações, Haiti e Venezuela, seguem notificando aumento no número de infecções. Novo plano quer reduzir casos de malária em 40% até 2020 e erradicar enfermidade em pelo menos quatro países. Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) vai prestar assistência técnica aos Estados.

Crianças protegidas por tela antimalária na República Dominicana. Foto: OMS / OPAS
Considerando que a malária “continua a ser uma séria ameaça” nas Américas, ministros da Saúde de toda a região adotaram na quinta-feira (29) um novo plano para avançar a erradicação da doença pelos próximos quatro anos. A Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) alerta que a bacia amazônica merece atenção especial.
Vinte e um países das Américas notificaram 389.390 ocorrências confirmadas de malária e 87 mortes associadas em 2014. Os valores representam uma queda de 79% em relação ao ano 2000. Dois países, Haiti e Venezuela, seguem notificando aumento no número de infecções. Desde 1970, 27 Estados e territórios americanos são considerados livres da malária.
Apesar dos avanços, porém, a OPAS e as autoridades nacionais de saúde identificaram uma redução perigosa dos esforços contra a doença, o que pode levá-la a ressurgir em locais onde a enfermidade já havia sido erradicada. Quadros epidêmicos atuais também podem se agravar.
O plano adotado nesta semana, durante reunião do 55º Conselho Diretor da agência regional da ONU em Washington, determina como meta a redução de 40% dos casos de malária até 2020. O objetivo é conseguir que pelo menos quatro novos países eliminem a doença. Nos Estados já livres da infecção, a prevenção será fortalecida.
Países solicitaram à diretora da OPAS, Carissa F. Etienne, que forneça a cooperação técnica necessária, coordene os esforços nas Américas e auxilie na mobilização de recursos para os programas nacionais e transfronteiriços contra a doença.
Os ministros da Saúde observaram ainda que o plano de erradicação é a plataforma regional para a implementação da estratégia específica da Organização Mundial da Saúde, que prevê um mundo sem malária em 2030. Para tanto, será necessário reduzir a carga da infecção em 90% e eliminar a doença em outros 35 países.
Bacia amazônica
As populações que vivem em áreas da Amazônia continuam a ter maior risco de infecção por malária. Em 2014, dos 20 municípios que registraram a maior prevalência da doença na bacia amazônica, dez eram brasileiros, um colombiano, quatro peruanos e cinco venezuelanos. Essas cidades foram responsáveis por 44% do total de casos na região.
O plano dos Estados-membros indica que muitos dos casos continuam ocorrendo entre populações indígenas, pessoas que vivem em situação de vulnerabilidade ou deslocamento – como mineiros, migrantes e trabalhadores.
Um dos principais investimentos na bacia é a Iniciativa contra a Malária na Amazônia, que teve início em 2001 com o financiamento da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional.