Enfermeiros respondem por 60 a 89% da força de trabalho de saúde e prestam até 90% dos serviços. A maioria dos profissionais com melhor qualificação, porém, não está na linha de frente da atenção clínica. Na América Latina e Caribe, apenas 10 países contam com cursos de Doutorado na área. Brasil concentra 75% dessas formações.

Enfermeiros e enfermeiras são responsáveis por prestarem até 90% dos serviços de saúde. Foto: Carol Garcia / SECOM Bahia
Enfermeiros respondem por 60 a 89% da força de trabalho de saúde e prestam até 90% dos serviços. A maioria dos profissionais de enfermagem com melhor qualificação, porém, não está na linha de frente da atenção clínica, pois se dedicam a docência ou postos gerenciais. Na América Latina e Caribe, apenas 10 países contam com cursos de doutorado na área.
Os dados são da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS), que alertou os Estados-membros nesta quinta-feira (12) – Dia Internacional de Enfermagem – sobre a necessidade de investir na educação de enfermeiros.
“Nossa região está enfrentando uma grave escassez de profissionais e nós não estamos tirando proveito da força de trabalho de enfermagem que temos”, destacou a diretora-executiva do organismo internacional, Carissa F. Etienne.
Segundo a OPAS, a maior parte dos enfermeiros da América Latina e Caribe é licenciada por programas de graduação de quatro anos ou formada em cursos técnicos de menor duração. Aqueles que decidem adquirir uma titulação mais alta acabam se afastando do atendimento de saúde. Na região, o Brasil concentra três quartos de todos os cursos de doutorado de enfermagem oferecidos.
O organismo fez uma série de apelos às nações americanas para que promovam a atualização dos programas de estudo para melhorar abordagens sobre atenção básica de saúde da população; e a adoção de programas de enfermagem de prática avançada, além de garantir a essas iniciativas função-chave nos serviços de atendimento básico.
A OPAS também quer que seus Estados-membros estimulem os estudos a nível superior e de pós-graduação para os profissionais da área e ofereçam oportunidades de educação continuada para enfermeiros.
Para o organismo, países precisam buscar alternativas que ampliem o alcance das certificações e o exercício da enfermagem e que também permitam aos sistemas de saúde aproveitar melhor habilidades, conhecimentos e experiências dos enfermeiros.
Especialistas acreditam que estas mudanças podem ajudar a reverter a escassez de enfermeiros, fortalecer a profissão e acelerar o progresso rumo à universalidade do acesso a saúde – por meio do aprimoramento da eficiência e qualidade dos serviços.
A OPAS conta com diferentes iniciativas de cooperação técnica, facilitando parcerias entre países dedicadas ao desenvolvimento de competências dos docentes de enfermagem e apoiando o desenvolvimento de habilidades para a formação de profissionais.