OPAS/OMS reforça sistemas de vigilância nas Américas para prevenir maior proliferação do vírus zika

Na semana que vem, especialistas de todo o continente americano se encontrarão para discutir novas estratégias, mais eficazes e integradas de controle de mosquitos vetores. A ação visa não só reduzir as infecções por zika, mas também os casos de dengue, chikungunha, febre amarela e vírus do Nilo Ocidental, que causam problemas de saúde pública significativos nas Américas.

No Brasil, vírus zika já circula por 18 estados. Foto: FotosPúblicas / Rafael Neddermeyer

Vírus já está presente em 23 países e territórios nas Américas. Foto: FotosPúblicas / Rafael Neddermeyer

O vírus zika está se espalhando rapidamente pelas Américas e poderia chegar a todos os países, exceto o Canadá e o Chile continental, afirmou a diretora da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), Carissa F. Etienne, às autoridades de saúde de todo o mundo nesta quinta-feira (28) durante uma sessão informativa do Conselho Executivo da Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra, na Suíça.

Etienne acrescentou, no entanto, que os países das Américas têm respondido robustamente à ameaça de zika em colaboração com a OPAS/OMS e outros parceiros internacionais. Adicionou, ainda, que esta cooperação se estenderá até a redução do impacto do vírus nestas populações.

Ela lembrou que a prevenção mais importante é o controle eficaz do mosquito. Uma ação que requer esforços dos governos locais e nacionais, mas também de cada indivíduo na eliminação de potenciais criadouros de mosquitos, adicionou.

“A OPAS é uma região com longa experiência na luta contra doenças transmitidas por mosquitos, incluindo dengue e chikungunya”, disse Etienne. “Felicito o Brasil – e todos os outros países das Américas – pela notificação imediata no marco do Regulamento Sanitário Internacional.”

RSI, como os regulamentos são conhecidos, é o sistema global gerido pela OMS por meio do qual os Estados-membros notificam surtos de potencial preocupação internacional.

Desde maio de 2015, 23 países e territórios nas Américas têm relatado a OPAS/OMS transmissão local de infecções por zika. A OPAS/OMS prevê que o vírus possa se espalhar para todos os países da região que têm mosquitos Aedes, os mosquitos responsáveis pela transmissão do vírus. O mosquito está presente em toda a região, exceto Canadá e Chile continental.

Etienne observou que a ação colaborativa pró-ativa sobre os surtos a nível regional está em andamento desde que o Brasil registrou a transmissão local de zika à OPAS em maio de 2015. Na semana que vem, especialistas de todo o continente americano se encontrarão para discutir novas estratégias, mais eficazes e integradas de controle de mosquitos vetores.

A medida visa não só reduzir as infecções por zika, mas também os casos de dengue, chikungunha, febre amarela e vírus do Nilo Ocidental, que causam problemas de saúde pública significativos nas Américas.

A OPAS/OMS também está apoiando a ampliação e fortalecimento dos sistemas de vigilância em países que têm relatado casos de zika e de microcefalia e outras condições neurológicas que podem estar associadas ao vírus. A vigilância também está aumentando nos países onde o vírus pode se propagar.

Além disso, a OPAS/OMS tem trabalhado com as autoridades de saúde brasileiras, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Brasil, e os Centro dos Estados Unidos para Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, para apoiar a pesquisa e investigação sobre zika, gravidez e microcefalia.

Dificuldade na contagem de casos

Em uma coletiva de imprensa após a apresentação de Etienne, os especialistas da OPAS/OMS explicaram que a contagem confiável de casos de infecção pelo vírus zika eram difíceis de obter por várias razões.

Aproximadamente uma em cada quatro pessoas infectadas desenvolvem sintomas e o vírus só é detectável por alguns dias no sangue das pessoas infectadas. Além disso, testes para anticorpos – que podem ser detectados por um período muito mais longo após a infecção – não conseguem distinguir bem entre zika e infecções com vírus similares, como dengue e chikungunya. Por fim, clínicos enfrentam grandes desafios em distinguir casos de zika dos casos de doenças como dengue e chikungunya, que têm sintomas semelhantes.

Suspeita de ligação com microcefalia

Embora as infecções por zika tipicamente causem apenas sintomas leves, as preocupações têm sido agravadas pelos relatórios do Brasil de aumento significativo de microcefalia – bebês com cabeças anormalmente pequenas – em bebês nascidos em áreas onde o vírus está circulando. Desde outubro, o Brasil registrou mais de 4 mil casos suspeitos de microcefalia em áreas com circulação de zika. Outras complicações são também suspeitas de estarem ligadas ao vírus, incluindo a síndrome de Guillain-Barré.

“Existem muitas perguntas não respondidas sobre as ligações entre a doença do vírus da zika, microcefalia e Síndrome de Guillain-Barré”, observou Etienne. “Embora nós ainda estejamos trabalhando para estabelecer a causalidade com o zika, não podemos tolerar a perspectiva de mais bebês nascendo com malformações neurológicas e de outros tipos, e mais pessoas que enfrentam a ameaça de paralisia devido à síndrome de Guillain-Barré. Devemos todos trabalhar juntos para impedir a propagação desta doença potencialmente debilitante.”