ONU promove visita de delegação boliviana ao Brasil para ver modelo de alimentação escolar

O Centro de Excelência da ONU contra a Fome do PMA trouxe uma delegação da Bolívia interessada em trocar experiências com o Brasil sobre o desenho, a aprovação e a implementação das políticas nacionais de alimentação escolar.

Rivaldo Gonçalves, produtor de leite. Foto: ONU/Isadora Ferreira

Rivaldo Gonçalves, produtor de leite. Foto: ONU/Isadora Ferreira

O programa brasileiro de alimentação nas escolas e os seus benefícios para as crianças e pequenos agricultores despertaram a curiosidade de representantes do congresso boliviano e funcionários do Escritório do Programa Mundial de Alimentação da ONU (PMA) na Bolívia e do Escritório Regional no Panamá, que vieram ao país para reunir-se com autoridades, agricultores e professores para saber mais sobre as vantagens dessa política.

Organizada pelo Centro de Excelência da ONU contra a Fome, a visita de campo trouxe uma delegação legislativa da Bolívia interessada em trocar experiências com o Brasil sobre o desenho, a aprovação e a implementação das políticas nacionais de alimentação escolar. O grupo esteve no Brasil entre 26 a 29 de agosto, período em que se encontrou com representantes do Congresso brasileiro, do ministério de Educação, do ministério de Desenvolvimento Agrário e instituições relacionadas à alimentação escolar e agricultura familiar.

Depois de serem recebido pelo diretor do Centro de Excelência, Daniel Balaban, a delegação realizou uma reunião com representantes da Câmara de Deputados. Defensor da segurança alimentar e agricultura familiar na legislação brasileira, o congressista Padre João explicou à delegação como o Brasil conseguiu criar uma lei e uma política nacional de alimentação escolar e uma política nacional de segurança alimentar. “As evidências mostram que crianças bem alimentadas têm uma melhor performance nas escolas. O acesso a alimentos é uma questão de justiça social”, disse o Padre João.

‘Alimentação escolar é um investimento’

A representante do congresso boliviano, Ingrid Zabala, afirmou que a visita ajudou a esclarecer algumas dúvidas pendentes para a aprovação do próprio plano de alimentação escolar na Bolívia.

“Não existem dúvidas de que uma alimentação adequada para as crianças não é uma despesa, e sim um investimento. Queremos a ajuda brasileira para ver com claridade os benefícios da alimentação escolar para os pequenos agricultores. Com esse esclarecimento, poderemos mover rapidamente para a aprovação da lei.”

A delegação almoçou em uma restaurante comunitário do Distrito Federal, um elemento fundamental para a política de segurança alimentar brasileira. Foto: PMA/Isadora Ferreira

A delegação almoçou em uma restaurante comunitário do Distrito Federal, um elemento fundamental para a política de segurança alimentar brasileira. Foto: PMA/Isadora Ferreira

Como parte do plano de visita, os participantes visitaram a propriedade de um produtor de leite que participa do Programa de Aquisição de Alimentos, um instrumento de promoção de acesso a alimentos às populações em situação de insegurança alimentar. O Programa também promove a inclusão social e econômica no campo por meio do fortalecimento da agricultura familiar.

A delegação conversou com Rivaldo Gonçalves, que vende seus produtos para o programa de alimentação escolar e recebe ajuda técnica — como auxílio de agrônomos e veterinário — e crédito do governo para manter suas atividades no campo.

Também visitaram uma escola rural, onde puderam conhecer melhor a execução do programa do ponto de vista escolar. Para finalizar a visita, os integrantes da delegação almoçaram em um restaurante popular, um importante elemento da estratégia de segurança alimentar brasileira. No Distrito Federal há 13 restaurantes que servem, cada um, 3 mil refeições diárias por 1 real.