‘Os dias do Estado Islâmico no Iraque estão contados’, diz enviado especial da ONU

As operações militares para expulsar os combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) de terras iraquianas está quase chegando ao fim, mas a expectativa é de que a crise humanitária na região dure meses ou até anos, advertiu o representante especial da ONU para o país, Jan Kubiš.

Centenas de iraquianos deslocados de Mossul chegando ao acampamento de Khazer, no Iraque. Foto: ACNUR/Ivor Prickett

Centenas de iraquianos deslocados de Mossul chegam a acampamento de Khazer, no Iraque. Foto: ACNUR/Ivor Prickett

As operações militares para expulsar os combatentes do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIL) de terras iraquianas está quase chegando ao fim, mas a expectativa é de que a crise humanitária na região dure meses ou até anos, advertiu na quinta-feira (2) o representante especial da ONU para o país, Jan Kubiš.

“Três meses após a campanha militar de Mossul começar, as operações de combate na parte oriental da cidade chegaram ao fim”, informou Kubiš ao Conselho de Segurança da ONU.

Todavia, ele afirmou que as forças iraquianas, com apoio significativo de seus parceiros internacionais, especialmente os Estados Unidos, continuarão envolvidas em operações urbanas complexas, especialmente no oeste da cidade.

“Ainda assim, no curto prazo previsível, as operações de libertação do Iraque estão chegando ao fim — os dias do ISIL no país estão contatos”, acrescentou.

De acordo a ONU, pelo menos 985 milhões de dólares são necessários este ano para atingir os 5,8 milhões de iraquianos mais vulneráveis do país. Desse contingente, 331 milhões estão sendo esperados especificamente para a resposta em Mossul.

“No período pós-ISIL, o Iraque vai precisar de assistência e apoio contínuos da comunidade internacional, incluindo de seus parceiros regionais. Qualquer redução abrupta de ajuda humanitária repetirá os erros do passado — erros que tiveram consequências graves para a segurança e para a estabilidade além das fronteiras do país”, frisou o representante especial.

Segundo Kubiš, a proteção dos civis, a suspensão de ações que possam incitar tensões sectárias e a prevenção de saques e atos de vingança em Mossul e em outras áreas liberadas do país constituem os primeiros passos no processo de reconciliação nacional e de construção de um país unificado.

Ele afirmou ainda que, para a unificação do país ter sucesso, é preciso que ela seja apoiada por iniciativas de base.