Painel voltado para fortalecimento econômico das mulheres ganha apoio de agências da ONU

Proposta do secretário-geral da ONU contempla alcançar dois dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e conta com o suporte de várias agências do Sistema ONU. O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento no Brasil vem atuando no tema em diversos projetos.

PNUD busca promover igualdade de gênero e enxerga nisso uma necessidade urgente e de grande importância. Foto: PNUD Brasil/Tiago Zenero

PNUD busca promover igualdade de gênero e enxerga nisso uma necessidade urgente e de grande importância. Foto: PNUD Brasil/Tiago Zenero

O secretário-geral da ONU, Ban-Ki-Moon, anunciou na quinta-feira (21) a criação do primeiro Painel de Alto Nível sobre o Empoderamento Econômico das Mulheres voltado a promover liderança entre as mulheres e mobilizar ações concretas para diminuir a desigualdade de gênero no meio econômico. Ban fez o anúncio durante o Forúm Econômico Mundial em Davos, Suiça.

O Painel – que tem à frente governo britânico, Banco Mundial e ONU Mulheres – fará recomendações para o cumprimento da Agenda 2030 e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e oferecerá diretrizes a governos e outras instituições. As orientações do grupo facilitarão o alcance das metas e indicadores específicos contemplados nos Objetivos 5 e 8, que promovem a Igualdade de Gênero e  o Trabalho Decente e Crescimento Econômico, respectivamente.

Durante o evento, Ban-Ki-Moon ressaltou que “é urgente a necessidade de atenção frente a barreiras para o empoderamento das mulheres e total inclusão em atividades econômicas. Se o mundo quer alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, é necessário um grande salto no empoderamento econômico feminino”.

Empoderamento das mulheres

O PNUD Brasil, em todos seus projetos, busca promover a igualdade de gênero e enxerga nisso uma necessidade urgente e de grande importância. O empoderamento das mulheres, por exemplo, foi foco principal no projeto Jovens Mulheres Líderes, realizado pela agência no ano de 2014.

Esse trabalho visava a empoderar politicamente 15 mulheres de todas as regiões do Brasil, já envolvidas em movimentos sociais, a partir de um programa de mentoria com mulheres líderes já bem sucedidas no executivo, legislativo, movimentos sociais e organizações sem fins lucrativos.

De acordo com a representante de programa do PNUD Brasil responsável pelo tema, Juliana Wenceslau, “o balanço que se tem dessa experiência é inteiramente positivo, tendo em vista as consequências e resultados”. Duas das jovens, Rebecca de Souza e Isabela da Cruz, por exemplo, atualmente compõem o Grupo Assessor da Sociedade Civil da ONU Mulheres. Isabela, militante quilombola, também foi peça fundamental na luta pela titulação da Comunidade Quilombola Invernada Paiol de Telha em Guarapuava, no Paraná. Outra jovem liderança, Bárbara Nascimento, candidatou-se, no mesmo ano de 2014, a deputada estadual do Estado de Sergipe.

Além desse projeto, o PNUD Brasil apoia a discussão e o debate frente às desigualdades de gênero. Casos que destacam esse viés foram os workshops realizados em 2015: Metodologias em alternativas penais: medidas protetivas de urgência, em cooperação com o Departamento Penitenciário Nacional (Depen); e a oficina ministrada por Eugenia Piza Lopes, gerente da Equipe de Gênero do Centro Regional do PNUD para a América Latina e Caribe.

O Painel de Alto Nível sobre o Empoderamento Econômico das Mulheres terá sua primeira reunião durante a 60ª Sessão para o Estatuto da Mulher, na sede da ONU, em março. Acontecerão também outras reuniões de consulta regional. O relatório, com recomendações resultantes desse encontro, será apresentado em setembro de 2016.