Políticas coordenadas, orientadas pela demanda e onde nenhum país adote políticas de austeridade teriam melhores resultados para o crescimento, distribuição de renda e emprego do que as políticas atuais.

Alfredo Calcagno, da Divisão de Globalização e Estratégias de Desenvolvimento da UNCTAD, apresentou o relatório da agência da ONU. Foto: ONU/Jean-Marc Ferré
De acordo com o Relatório de Comércio e Desenvolvimento 2013, os países devem adotar novas políticas econômicas para se adaptarem às mudanças estruturais na economia mundial provocadas pela eclosão da crise financeira global há cinco anos.
O relatório — produzido pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) — afirma que os países desenvolvidos têm, até agora, abordado a crise através da implementação de medidas de estímulo que dependem de políticas monetárias expansionistas, mas não obtiveram sucesso na promoção do crescimento por causa da sua combinação com a austeridade fiscal e as demandas particulares subjugadas.
Já os países em desenvolvimento têm mitigado o impacto negativo da crise no mundo desenvolvido através da implementação de políticas anticíclicas, que estimulam a economia quando se está enfrentando uma recessão. No entanto, os efeitos dessas políticas estão desaparecendo e o ambiente econômico mostra poucos sinais de melhoria, tornando cada vez mais difícil evitar a desaceleração econômica.
Para a economia mundial como um todo, o relatório ressalta que políticas coordenadas, orientadas pela demanda, onde nenhum país adote políticas de austeridade, teriam melhores resultados em termos de crescimento, distribuição de renda, emprego e reequilíbrio mundial do que as políticas atuais que colocam toda a carga do ajuste da crise nos países deficitários.
O chefe da área de macroeconomia e desenvolvimento da UNCTAD, Alfredo Calcagno, observou que os países desenvolvidos não estão abordando as causas iniciais da crise financeira, e isso, combinado com a má gestão da crise em si, tem contribuído para a desordem atual da economia global.