As 20 maiores economias do mundo abrigam dois terços (64%) da população mundial, mas respondem por 80% da economia global e 92% dos gastos em pesquisa e desenvolvimento, de acordo com novo relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

UNESCO apontou que, no geral, nos anos que se seguiram à crise financeira de 2008-2009, o gasto em pesquisa aumentou mais do que o PIB dos países. Foto: Vanderbilt University/CC
As 20 maiores economias do mundo abrigam dois terços (64%) da população mundial, mas respondem por 80% da economia global e 92% dos gastos em pesquisa e desenvolvimento, de acordo com novo relatório da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
No que se refere à pesquisa privada, o domínio dessas economias é ainda maior: 94% das patentes concedidas pelo Escritório Norte-Americano de Patentes e Marcas são provenientes de países do G20. Segundo o documento, dos 7,76 milhões de pesquisadores em todo o mundo, 6,74 milhões vivem nos países do G20, o que equivale a 87% do total.
Dentro do grupo, no entanto, houve mudanças de nivelamento. Segundo o documento, a China ampliou sua participação no gasto com pesquisa em 42%, atingindo 19,6% do total, e a Coreia do Sul teve aumento de 22%, correspondendo agora a 4,4% do total. Esse movimento provocou redução das fatias de países de alta renda como Austrália, Canadá, França, Alemanha, Japão, Itália, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos.
A UNESCO apontou que, no geral, nos anos que se seguiram à crise financeira de 2008-2009, o gasto em pesquisa aumentou mais do que o PIB dos países. Houve uma queda no gasto público em pesquisa nos países de alta renda, como resultado de orçamentos austeros, compensada por gastos privados sustentados.
Paralelamente, países em desenvolvimento com indústrias primárias fortes, como Argentina, Etiópia, Quênia, Mali e México, foram capazes de usar o forte crescimento causado pela explosão das commodities para impulsionar seu próprio nível de comprometimento público com pesquisa. Há casos de economias emergentes que também aumentaram seus gastos em pesquisa durante esse período, como Malásia e Turquia.
Já os países do BRIC tiveram tendências contrastantes entre 2009 e 2013. Na Rússia, o financiamento do governo para pesquisas com propósitos civis aumentou de forma constante, mas o investimento industrial permaneceu modesto, apesar dos esforços do governo de estimular a inovação empresarial.
Na China, o financiamento público e privado em pesquisa aumentou de forma conjunta, enquanto na África do Sul o aumento do gasto público não foi capaz de compensar a queda acentuada do setor privado.
No Brasil e na Índia, a situação era inversa, com o gasto privado em pesquisa aumentando de forma mais rápida do que os compromissos governamentais. Contudo, o relatório observou que a crise de 2008 teve um impacto negativo na inovação no Brasil, sendo que todas as empresas brasileiras pesquisadas em 2013 relataram uma queda nessa atividade desde 2008.
O relatório previu ainda que “muito provavelmente essa tendência afetará o gasto [em pesquisa], se persistir a desaceleração da economia brasileira”. Um ano depois, tanto o Brasil como a Rússia ainda estão em recessão.
Europa, EUA e Japão ainda lideram a pesquisa mundial
União Europeia, Japão e EUA ainda dominam a criação de conhecimento privada. Esses países detêm 83% das patentes triádicas — aquelas que são depositadas nos escritórios de patentes da UE, do Japão e dos EUA pelo mesmo requerente e para a mesma invenção.
Na última década, contudo, China e Coreia do Sul realizaram grandes progressos. Considerados em conjunto, os dois países respondem agora por 8% das patentes triádicas. Nos dois países, o setor privado financia três quartos dos gastos em pesquisa. Embora a China apresente metade (2,09% do PIB) do nível de pesquisa da Coreia do Sul (4,15% do PIB), as empresas chinesas respondem por um quinto do gasto privado mundial em pesquisa, comparado a apenas 5% em 2001.
De acordo com o “UNESCO Science Report”, o setor privado da UE tende a se concentrar mais fortemente em pesquisa de média a baixa e baixa intensidades, em comparação com seus principais competidores, EUA e Japão.
Além disso, embora as empresas sediadas na União Europeia respondam por 30% do total do gasto em pesquisa das 2,5 mil principais empresas do mundo, apenas duas companhias com sede no bloco figuram entre as dez primeiras, as duas alemãs e do setor automotivo (Volkswagen e Daimler).
A UE está praticamente ausente da área de empresas baseadas na Internet, com atividades em formas novas e emergentes de inovação. Onze das 15 maiores empresas de Internet pública são sediadas nos EUA, enquanto as restantes são chinesas. O relatório observou que “as tentativas da UE de replicar uma experiência como do Vale do Silício não corresponderam às expectativas”.
O “UNESCO Science Report” conclui que “a Europa tem sido um grande produtor de novos conhecimentos, mas seu desempenho não tem sido tão bom na transformação de novas ideias em produtos e processos de sucesso comercial”.