Países precisam encontrar ‘terreno comum’, diz presidente da Assembleia Geral da ONU

John Ashe recapitulou a semana de debates entre líderes políticos e ressaltou pontos importantes levantados pelos participantes, como a definição da agenda de desenvolvimento global.

Debate geral da 68ª sessão da Assembleia Geral da ONU, na sede da ONU em Nova York. Foto: ONU/Mark Garten

Debate geral da 68ª sessão da Assembleia Geral da ONU, na sede da ONU em Nova York. Foto: ONU/Mark Garten

Recapitulando uma semana de debate entre líderes políticos sobre a elaboração de uma nova agenda global de desenvolvimento, integrando o crescimento econômico, a inclusão social e a proteção ambiental, o presidente da Assembleia Geral da ONU, John Ashe, disse nesta terça-feira (1) que agora depende dos Estados-membros das Nações Unidas “encontrar o terreno em comum para avançar com uma ação decisiva”.

“No mundo real, no qual vivemos, um compromisso saudável como este é o melhor resultado do nosso esforço conjunto. Nós somos os únicos responsáveis por encontrar esse terreno comum”, disse Ashe em seu discurso no encerramento do debate geral da Assembleia Geral de 2013, para o qual ele escolheu o tema “agenda de desenvolvimento pós-2015: preparando o cenário”.

O debate geral, inaugurado em 24 de setembro, deu a chefes de Estado e outros altos funcionários do governo uma oportunidade de opinar sobre qual estratégia de desenvolvimento o mundo deve adotar para o período após o prazo dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio de 2015, e em uma série de preocupações nacionais e globais, como a erradicação da pobreza, as mudanças climáticas, os direitos humanos e questões de paz e segurança.

Ashe disse que o fato de praticamente todos os oradores no debate terem prometido total apoio à elaboração da agenda de desenvolvimento pós-2015 pela ONU “anuncia uma sensação de promessa sobre o que está por vir no próximo ano”. Ele confiou que os Estados-membros serão capazes de trabalhar em conjunto e de forma criativa durante a 68ª sessão da Assembleia.

Elaborando propostas a partir das conquistas da Conferência de 2012 das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável — a Rio+20 –, ele disse que muitas delegações ressaltaram que o trabalho agora deve começar na definição de uma agenda de desenvolvimento universal, que inclua metas de desenvolvimento sustentável com base em princípios comuns, mas diferenciados.

John Ashe, presidente da Assembleia Geral da ONU. Foto: ONU

John Ashe, presidente da Assembleia Geral da ONU. Foto: ONU

“Nós ouvimos elogios para o lançamento do Fórum Político de Alto Nível como o guardião e catalisador dessa agenda”, disse ele, referindo-se ao novo órgão da ONU que nasceu do documento final da Rio+20 e que assumirá o trabalho da Comissão sobre Desenvolvimento Sustentável — que realizou a sua última reunião na semana passada.

Ashe ressaltou outros pontos que ele disse que líderes políticos desejavam ver destacados na nova agenda, incluindo a cultura, a educação, a criação de empregos, doenças não transmissíveis, energia sustentável, água, saneamento e a proteção dos oceanos do mundo. Democracia, direitos humanos e empoderamento das mulheres também foram enfatizados, assim como a necessidade de promover parcerias para o desenvolvimento.

“Nós somos os únicos responsáveis por encontrar um terreno em comum. Com as direções e os pontos de referência definidos por nós nesta semana, cabe a nós identificar qual é a nossa agenda comum e avançar sobre ela”, disse ele, informando os Estados-membros: “Nós somos responsáveis pela implementação da ação através do trabalho para criar uma agenda de desenvolvimento pós-2015”.

“Nós somos muitas vezes acusados de ser uma organização que só conversa e não age. Talvez sim. Mas eu defendo que os nossos debates gerais, que ocorrem neste momento todos os anos, servem para um propósito importante, pois eles nos ajudam a determinar onde estamos em termos de uma comunidade global e a fornecer orientações para onde precisamos ir. Eles servem como um ponto de revisão e prestação de contas em geral”, disse Ashe, acrescentando que os debates da Assembleia também mostram que apesar de qualquer elemento negativo, “a fé no valor da nossa organização como fórum mundial das nações continua alta”.

“Durante os próximos meses e sessões, estou ansioso para trabalhar com todos vocês e ver o progresso e mudanças significativas”, concluiu.