Apesar de avanços na segurança e na economia, a negociação israelo-palestina vive um impasse “profundo e persistente”, avalia o Coordenador Especial para o Processo de Paz.

Para o Coordenador Especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio, Robert Serry, a Autoridade Palestina chegou a um nível suficiente de desempenho institucional e está pronta para “assumir as responsabilidades do estado”. Há ganhos reais na segurança e na economia dos dois lados, mas a negociação que permitiria a criação do Estado Palestino encontra-se num impasse “profundo e persistente”.
“Líderes políticos dos dois lados estão frustrados, assim como seus povos”, afirmou Serry ao Conselho de Segurança nesta terça-feira (26/07). “Isto é particularmente aguçado do lado palestino, na ausência de um horizonte politico crível para o fim da ocupação iniciada em 1967. Israelenses continuam preocupados com uma segurança duradoura e o fim do conflito.”
As negociações de paz entre israelenses e palestinos estão paralisadas desde o fim de setembro por causa da recusa de Israel em bloquear assentamentos em território palestino. Essa decisão levou o Presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, a interromper o diálogo direto com o Primeiro-Ministro Benjamin Netanyahu, que havia sido retomado poucas semanas antes, depois de dois anos de silêncio.
Assentamentos israelenses impedem diálogo
“O processo politico para resolver o conflito israelo-palestino está num impasse profundo e persistente”, declarou o Coordenador Especial. “Continuamos pedindo que as partes encontrem uma forma de avançar neste momento sensível e importante. Esperamos que a comunidade internacional possa ajudar a moldar um quadro legítimo e equilibrado.”
De acordo com Serry, os líderes têm expressado interesse em retomar a negociação. No entanto, na falta de conversas significativas e com o avanço dos assentamentos israelenses, os palestinos estão cada vez mais se aproximando da ONU. “O presidente Abbas afirma que continua comprometido com as negociações e que esforços nas Nações Unidas ajudariam a preservar a solução por dois Estados. Israel se opõe a este curso de ação, alegando que isso dificultaria a solução por dois Estados.”