Local – que abriga sítio arqueológico considerado patrimônio mundial pela UNESCO – esteve sob controle do Estado Islâmico, que destruiu artefatos, edifícios e bens culturais. Agora livre dos terroristas, a região recebeu a visita de especialistas que avaliaram os danos.

Imagem do sítio arqueológico de Palmira registrada em abril de 2016 pela missão da UNESCO. Foto: UNESCO
Diversas construções icônicas da cidade antiga de Palmira na Síria foram destruídas, mas a região – considerada patrimônio mundial da humanidade – ainda “conserva boa parte de sua integridade e autenticidade”. Esta foi a conclusão de uma missão de especialistas enviados nesta semana ao local pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).
Palmira esteve sob controle do grupo Estado Islâmico por 10 meses e foi recuperada pelas forças sírias no final de março.
Os técnicos avaliaram as avarias tanto no museu de Palmira quanto em seu sítio arqueológico. Segundo a UNESCO, o acervo do centro cultural sofreu “danos consideráveis”: a maior parte das estátuas e sarcófagos que eram muito grandes para serem removidos e devidamente preservados foi desfigurada, esmagada e teve suas cabeças arrancadas. Fragmentos foram encontrados espalhados pelo chão do museu.
Ao longo da operação, os especialistas identificaram medidas de emergência para consolidar e estabilizar o prédio, além de determinar as ações que serão necessárias para documentar, evacuar, conservar e restaurar o que for possível. O trabalho de rastreamento e documentação dos fragmentos de estátuas destruídas já começou.
No sítio arqueológico, os especialistas confirmaram a destruição do arco triunfal e do Templo de Baal Shamin, que foi “reduzido a pedaços”. Partes da grande colunata e da ágora ainda estão de pé. No anfiteatro, a equipe da UNESCO observou um minuto de silêncio em homenagem às vítimas mortas no local.
A organização também elogiou e homenageou a coragem dos que trabalham para registrar e conservar o patrimônio sírio, especialmente a dedicação da diretoria-geral de Antiguidades e Museus.
A análise de algumas estruturas – como o Templo de Bel – teve de ser feita à distância, pois o edifício permanece inacessível e operações de desminagem em torno da construção ainda não foram concluídas. A Cidadela de Mamluk, localizada acima da cidade antiga, também continua fora do alcance seguro de missões arqueológicas.
“Palmira é um pilar da identidade síria e uma fonte de dignidade para todos os sírios”, destacou a diretora-geral da UNESCO, Irina Bokova. A organização “está determinada em garantir a preservação deste e outros locais com todos os parceiros como parte de operações humanitárias e de paz mais amplas”, informou a chefe da agência da ONU.
Palmira é considerada um oásis no meio do deserto sírio, no nordeste de Damasco. No mundo antigo, a cidade era um dos mais importantes polos culturais da região. Do século I ao II, a arte e a arquitetura do local se destacaram pela combinação peculiar entre técnicas greco-romanas e tradições e influências persas.
Um relatório completo sobre a situação de Palmira será apresentado na 40ª sessão do Comitê de Patrimônio Mundial, que acontece em Istambul em julho. No evento, serão discutidas ações de emergência para a conservação dos bens culturais da cidade. A UNESCO planeja enviar outra equipe de especialistas internacionais à Síria, que ficaria responsável por avaliar a destruição também em outros patrimônios do país.