Papa elogia iniciativas da FAO de incentivar pesca de pequena escala no Mediterrâneo

O papa Francisco reuniu-se na quinta-feira (23) com o diretor-geral da FAO, José Graziano, e elogiou os esforços da agência da ONU em abordar o problema da migração na região do Mediterrâneo por meio de iniciativas de impulso à pesca de pequena escala.

“A migração é uma questão que toca a alma do papa Francisco. Ainda há muito que fazer para resolver o que está acontecendo no Mediterrâneo, onde se estima que mais de 2,5 mil pessoas morreram este ano na tentativa de chegar a Europa pelo mar”, disse o diretor-geral da FAO após o encontro.

Visita oficial do Papa Francisco à sede do Programa Mundial de Alimentos da ONU, em Roma, no dia 13 de junho de 2016. Foto: PMA/Giulio d'Adamo

Visita oficial do Papa Francisco à sede do Programa Mundial de Alimentos da ONU, em Roma, no dia 13 de junho de 2016. Foto: PMA/Giulio d’Adamo

O papa Francisco reuniu-se na quinta-feira (23) com o diretor-geral da FAO, José Graziano, e elogiou os esforços da agência da ONU em abordar o problema da migração na região do Mediterrâneo por meio de iniciativas de impulso à pesca de pequena escala.

Graziano falou ao Pontífice sobre a “Iniciativa Esperança Azul”, da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que tem como objetivo transformar as comunidades das áreas costeiras do sul do Mediterrâneo em motores de estabilidade e crescimento, especialmente por meio do apoio à pesca.

“A migração é uma questão que toca a alma do papa Francisco. Ainda há muito que fazer para resolver o que está acontecendo no Mediterrâneo, onde se estima que mais de 2,5 mil pessoas morreram este ano na tentativa de chegar a Europa pelo mar”, disse o diretor-geral da FAO após a reunião.

O papa e Graziano também falaram sobre os atuais esforços de paz em curso tanto na Colômbia, como na República Centro-Africana, e expressaram a esperança de que sejam adotadas soluções duradouras capazes de resolver os conflitos nesses dois países.

Impulsionar o desenvolvimento rural para frear migração

Graziano disse que a FAO tem interesse em aumentar os investimentos em segurança alimentar, desenvolvimento rural sustentável e esforços para adaptar a agricultura às mudanças climáticas.

Segundo o diretor-geral da organização, essas medidas vão ajudar a criar as condições para que as pessoas, principalmente jovens, não sejam forçados a abandonar suas terras para procurar uma vida melhor em outro lugar.

Graziano explicou ao papa a posição da FAO sobre a questão da migração e os esforços destinados a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que a comunidade internacional assumiu no ano passado, incluindo a erradicação da fome, até 2030.

O diretor-geral da FAO também abordou a preocupação com os impactos que El Niño está gerando em diversas áreas do mundo, como secas e inundações.

Graziano chamou a atenção sobre como as mudanças climáticas em todo o mundo estão colocando em risco a vida de milhões de agricultores familiares, muitos dos quais dependem fortemente da agricultura de subsistência.

Ele ressaltou ainda que a resposta aos impactos das mudanças climáticas exige que se invista na melhoria da capacidade das comunidades rurais pobres para que tenham acesso a terra, crédito e outros recursos, além de se garantir serviços básicos como água, saneamento, saúde, educação, infraestrutura, transportes e eletricidade.

O papa Francisco expressou sua preocupação com a atual burocracia das organizações internacionais e disse que o Sistema ONU deveria trabalhar mais a fundo em benefício dos países-membros.