Papa Franciso conhece e abençoa a ganhadora de prêmio da ONU sobre refugiados

Freira católica de 46 anos, Irmã Angélique também foi homenageada com o Prêmio Nansen de Refugiados do ACNUR, por trabalho com mulheres sobreviventes de deslocamento forçado, violência e abuso sexual.

Na terça-feira (1), na Praça de São Pedro (Cidade do Vaticano), o Papa Francisco fez uma oração com a irmã Angélique Namaika. (Fotografia Felici)

Na terça-feira (1), na Praça de São Pedro (Cidade do Vaticano), o Papa Francisco fez uma oração com a irmã Angélique Namaika. (Fotografia Felici)

Dois dias após receber um dos maiores prêmios humanitários do mundo, a freira congolesa Angélique Namaika conheceu na terça-feira (1) o Papa Francisco, após uma audiência geral na Praça de São Pedro no Vaticano.

“Conhecer o Papa foi uma grande honra para mim”, disse a Irmã Angélique. “Nunca imaginei que iria encontrar o Santo Padre, e quando descobri, chorei por um longo tempo. Quando o encontrei, eu disse: ‘Eu sou da República Democrática do Congo e eu carrego comigo as mulheres e crianças que têm sido vítimas de atrocidades cometidas pelo Exército de Resistência do Senhor (LRA, da sigla em inglês) para que você possa abençoá-las, assim como a mim”, disse a Irmã, se referindo ao grupo armado irregular originário de Uganda que atua no nordeste do Congo.

Segundo ela, o Papa Francisco disse-lhe: “Sei da sua causa, você deve continuar a ajudar (os refugiados e deslocados internos).” Ela disse que, em seguida, o Papa colocou as duas mãos sobre a cabeça dela para então rezar e abençoá-la – assim como as centenas de mulheres que ela ajudou na República Democrática do Congo.

Na noite da última segunda-feira (30), em Genebra, a freira católica de 46 anos foi homenageada com o prestigioso Prêmio Nansen de Refugiados do ACNUR, por seu incansável e corajoso trabalho em nome de mulheres sobreviventes de deslocamento forçado, violência e abuso sexual na Província Orientale, no nordeste da RD Congo.

A maioria das 2 mil mulheres e meninas ajudadas diretamente pela Irmã Angélique em torno da cidade de Dungu foi vítima do LRA, um brutal grupo rebelde da Uganda que se mudou para a região em 2005. Eles praticam sequestros, trabalhos forçados, espancamentos, assassinatos, estupros e outros abusos dos direitos humanos.

Por meio do seu Centro de Reintegração e Desenvolvimento, Irmã Angélique ajudou essas vítimas a transformar suas vidas, oferecendo-lhes a oportunidade de aprender um ofício, iniciar um pequeno negócio ou voltar para a escola. Ela também luta pelos direitos de todas elas.

A representante regional da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR), Laurens Jolles, que estava com a Irmã Angélique na Praça de São Pedro no Vaticano quando o Papa Francisco parou para conversar, disse que este gesto dá um significado adicional ao interesse do Papa em questões de refugiados e de migrações.

Em julho, semanas depois de ser eleito, o Papa Francisco fez uma visita simbólica à Ilha de Lampedusa, na Itália, encontrando um grupo de migrantes recém-chegados e pedindo atenção e compreensão para os milhares que arriscam suas vidas todos os anos em alto-mar para chegar à Europa, incluindo os refugiados e solicitantes de refúgio. Ele também orou por aqueles que perderam suas vidas na tentativa.

“O ACNUR aprecia muito a atenção e o interesse que Sua Santidade tem demonstrado continuamente com aqueles que foram forçados a se deslocar. Seu interesse no trabalho da Irmã Angélique é mais uma expressão de sua proximidade com os mais vulneráveis”, disse Jolles.