Às vésperas do Dia Mundial do Refugiado, Instituto Migrações e Direitos Humanos promoveu celebração com comidas, brincadeiras e grande roda, além doar roupas, calçados e cobertores para imigrantes e refugiados.

Refugiado de Gana, Isaac reencontrou amigos durante encontro em Brasília para celebrar o Dia Mundial do Refugiado. Foto: ACNUR / F. Faria
As celebrações do Dia Mundial do Refugiado – comemorado na próxima segunda-feira (20) – já tiveram início no Brasil. No último sábado (11), um evento festivo reuniu refugiados, imigrantes, educadores e profissionais da área humanitária na Universidade Católica de Brasília, na capital federal. O encontro foi promovido pelo Instituto Migrações e Direitos Humanos (IMDH) – entidade parceira da Agência da ONU para Refugiados (ACNUR).
Pessoas de diferentes nacionalidades e idades estiveram juntas durante toda a tarde, fazendo novas amizades e revendo antigos amigos. Com ares de festa junina, o evento teve música, comida, brincadeiras e uma grande roda de dança chamada “Roda da Vida e da Paz” – ponto alto da celebração.
“Foi um momento mais especial de hoje, mas tudo estava muito bem feito, com carinho e atenção. A comida estava boa e foi muito legal rever amigos e as pessoas que me ajudaram logo quando cheguei ao Brasil”, disse o refugiado ganês Isaac, que vive aqui há oito meses.
Mesmo sem trabalhar, com contas para pagar e ainda sem dominar inteiramente o português, Isaac disse que “momentos de interação como estes são importantes para reafirmarmos que temos que aproveitar o que a vida nos dá de bom, sem esquecer que é importante sonhar”. E seu sonho é voltar a viver com a sua família.
O encontrou contou também com um bazar de doação de roupas, calçados, brinquedos e cobertores, que foram coletados pelo IMDH e oferecidos aos refugiados e imigrantes.
Para a diretora do Instituto, Rosita Milesi, “mais que meramente propiciar a doação de objetos, a importância do evento como um todo está em possibilitar a criação de um ambiente acolhedor entre brasileiros e refugiados e imigrantes, permitindo que as pessoas de fora encontrem um espaço de acolhida e de intercâmbio de culturas”.
E a proposta deu certo. A refugiada Aisha Unjia, de Uganda, já vive no Brasil há dois anos e meio e garante que, mesmo com as barreiras linguísticas e culturais no início, “é possível se sentir acolhida no Brasil”. “Os brasileiros são gentis e o encontro com diferentes pessoas faz com que logo nos tornemos amigos”, explicou.
Aisha trabalha para uma família norte-americana que vive no Brasil e espera dar continuidade aos estudos que teve que interromper devido aos conflitos armados em seu país de origem.
O evento também reuniu refugiados e imigrantes beneficiados pelo Projeto Ser +, da Universidade Católica de Brasília. A iniciativa – desenvolvida pela Pró-Reitoria de Extensão – promove o atendimento individualizado a refugiados e imigrantes com ajuda de estudantes universitários. O objetivo é encontrar soluções para os problemas dos estrangeiros que chegam ao Brasil, além de facilitar a convivência e o conhecimento mútuo.
“No último semestre, atendemos entre 30 e 40 pessoas de diversas nacionalidades, como ganeses, congoleses, bengaleses e afegãos, sendo que esta troca é de inestimável valor tanto para o universitário, como para o estrangeiro que acaba de chegar”, disse o gestor do programa e professor, Danilo Borges Dias.
Ao longo desta semana, diversas atividades em todo o Brasil vão celebrar o Dia Mundial do Refugiado. Conheça todas as iniciativas aqui.
Por Miguel Pachioni, de Brasília.