Mais de um quarto dos membros do Congresso afegão são mulheres. Percentual que é maior do que em muitas democracias de longa data por causa da organização e defesa de ativistas na aprovação da nova Constituição em 2004.

Foto: UNAMA
O papel das mulheres na política é vital para o futuro do Afeganistão, afirmou o representante especial do secretário-geral da ONU, Ján Kubiš, reiterando que a participação feminina nas eleições presidenciais e do Conselho Provincial em 5 de abril será “uma medida-chave para o sucesso”.
“A participação como candidatas, trabalhadoras eleitorais, observadoras e eleitoras é um direito democrático fundamental de todas as mulheres“, disse Kubiš em uma conferência nacional sobre as mulheres e as eleições em Cabul, a capital do país, na quarta-feira (5).
“Para o Afeganistão, sua participação na vida cívica e na tomada de decisão da nação fortalece suas instituições representativas e é vital para acelerar o progresso e o desenvolvimento econômico”, acrescentou, dirigindo-se às mulheres. Kubiš destacou que uma das mudanças mais marcantes no Afeganistão desde a derrubada do Talibã – que reprimia fortemente o papel das mulheres – em 2001, tem sido um aumento do envolvimento das mulheres na vida cívica, com mais de um quarto dos membros do Congresso sendo do sexo feminino.
“Este é um percentual maior do que o de muitas democracias de longa data” disse ele, explicando que esse percentual foi possível por causa da organização e defesa de mulheres ativistas no momento que o Loya Jirga – conselho de chefes do país – aprovou a nova Constituição em 2004. “Estas representantes eleitas tiveram uma voz forte e não apenas em questões especificamente das mulheres, mas perspectivas importantes, e liderança em tudo desde a reconciliação até a economia.”
A fim de incentivar e garantir a participação das mulheres nas eleições, o Ministério do Interior planeja implementar 13 mil mulheres no serviço de revista nos centros de votação e fornecer segurança às 308 candidatas ao Conselho Provincial. As eleições em abril marcarão a primeira transferência de poder de um presidente eleito para outro na história do país.
Kubiš afirmou que todos os candidatos presidenciais têm plataformas que buscam preservar os direitos das mulheres, reiterando a importância da implementação da lei sobre a Eliminação da Violência contras as Mulheres. “Leis não devem ficar no papel, direitos não são simplesmente palavras bonitas”, disse ele, reforçando o compromisso das Nações Unidas com a questão.