Encontro foi finalizado com a Carta de Belo Horizonte, onde os participantes firmam compromissos para o futuro do Movimento.

Encontro em Belo Horizonte (MG) reuniu pessoas de todos os estados brasileiros. Foto: Kimberly Digolin/ PNUD Brasil
“Quais os desafios enfrentados em relação ao processo de transição dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) para a nova Agenda de Desenvolvimento Pós-2015 – os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)? Quais serão as prioridades dos municípios nas próximas décadas?” Tais questões pautaram as atividades do segundo dia do 4º Encontro do Movimento Nacional pela Cidadania e Solidariedade/Nós Podemos (MNCS).
Durante o painel, o coordenador-geral para Desenvolvimento Sustentável do Ministério das Relações Exteriores (MRE), Mário Mottin, fez um relato sobre os atores sociais envolvidos nas negociações para a elaboração da Agenda Pós-2015 e o desafio para a ampliação da questão da sustentabilidade em um âmbito global.
“Estamos há um ano e meio dialogando sobre a proposta dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Mesmo com o envolvimento de 193 países e de várias instituições da sociedade civil, percebemos que ainda é preciso ampliar a visão e a participação social sobre esse assunto”, destacou.
Mottin também ressaltou o papel do Brasil na formulação da proposta dos ODS, tendo em vista que 27 ministérios participaram desse processo. Haroldo Machado Filho, especialista de Programa da Unidade de Desenvolvimento Sustentável do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), apresentou a importância de eventos da ONU realizados no Brasil como a Rio 92, que apoiou na formulação dos ODM, e as recentes discussões feitas no âmbito da Rio+20. Para ele, a transição dos ODM para os ODS será desafiadora, em função das diferenças existentes em relação à natureza e ao foco.
“Enquanto os ODM se voltam para as necessidades específicas dos municípios, os ODS dialogam com uma dimensão econômica, social e ambiental, com a proposta de promover práticas sociais economicamente viáveis”, explicou Haroldo.
Após a realização do painel, foi feita uma rodada de perguntas para os expositores sobre as temáticas abordadas. Em seguida, foi desenvolvida uma oficina sobre os ODS, momento em que os participantes discutiram sobre os aspectos que mais chamaram atenção nas exposições e quais propostas podem ser feitas pelos Núcleos ODM para divulgação e efetivação dos ODS.
Neila Carvalho, do Núcleo de Normandia, em Roraima, destacou a importância de implantar estratégias regionais. “Sabemos que os ODS possuem caráter global, mas precisamos adequá-los à realidade dos municípios, para que os mesmos tenham uma agenda própria”, afirmou.
No terceiro e último dia do Encontro, os participantes se reuniram por estado e elaboraram os compromissos e ações em prol dos ODM e a agenda pós-2015.
O palestrante Márcio Zepellin, do Instituto de Filantropia, fez algumas reflexões sobre captação de recursos e sustentabilidade. Para ele, querer é poder. “Querer é o início de tudo, com atitude e motivação vamos conseguir fazer de fato alguma diferença. Se o Movimento se chama Nós Podemos é porque quer muito isto, quer algo diferente”, enfatizou.
Zepellin alertou aos participantes que os principais alicerces para uma boa captação de recursos são: produtividade, positividade, reconhecimento, individualidade, emocional, relacionamento e habilidades.
O 4° Encontro do MNCS, realizado de 3 a 5 de novembro, em Belo Horizonte (MG), foi concluído com a aprovação da Carta de Belo Horizonte com os compromissos assumidos pelo Movimento, dentre eles, o diálogo e a participação social como meio de promover e implementar as ações da agenda pós-2015, incluindo os segmentos sociais historicamente discriminados como os povos indígenas e tradicionais.
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