Pela primeira vez na história, UNICEF nomeia jovem refugiada síria como embaixadora

Muzoon Almellehan tornou-se uma defensora da educação de meninas depois de fugir da Síria em 2013. “Mesmo quando criança, eu sabia que a educação era a chave para o meu futuro. Então, quando eu fugi da Síria, os únicos pertences que levei comigo foram meus livros escolares”, disse Muzoon, de 19 anos.

A refugiada síria e ativista na área de educação Muzoon Almellehan visita uma sala de aula na escola de Yakoua em Bol, região dos lagos, no Chade, em abril de 2017. Há 500 crianças deslocadas que frequentam a escola de 800 alunos e apenas oito professores, causando pressão sobre um sistema de educação já frágil no país africano. Foto: UNICEF / UN060498 / Sokhin

A refugiada síria e ativista na área de educação Muzoon Almellehan visita uma sala de aula na escola de Yakoua em Bol, região dos lagos, no Chade, em abril de 2017. Há 500 crianças deslocadas que frequentam a escola de 800 alunos e apenas oito professores, causando pressão sobre um sistema de educação já frágil no país africano. Foto: UNICEF / UN060498 / Sokhin

O Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) anunciou na semana do Dia Mundial do Refugiado a nomeação de Muzoon Almellehan, uma ativista da educação, de 19 anos, e refugiada síria, como sua mais nova – e a mais jovem – embaixadora global. A nomeação faz de Muzoon a primeira pessoa com status oficial de refugiado a se tornar um embaixador ou embaixadora do UNICEF.

Muzoon, que recebeu o apoio do UNICEF enquanto morava no campo de refugiados de Za’atari, na Jordânia, segue os passos de Audrey Hepburn, uma embaixadora que também foi apoiada pelo UNICEF quando criança.

“Mesmo quando criança, eu sabia que a educação era a chave para o meu futuro. Então, quando eu fugi da Síria, os únicos pertences que levei comigo foram meus livros escolares”, disse Muzoon. “Como refugiada, vi o que acontece quando as crianças são forçadas a casamento precoce ou trabalho manual – perdem a educação e perdem as possibilidades para o futuro. É por isso que estou orgulhosa de trabalhar com o UNICEF para ajudar a dar voz a essas crianças e levá-las à escola.”

Muzoon fugiu do conflito na Síria com sua família em 2013, vivendo como refugiada por três anos na Jordânia antes de se instalar no Reino Unido. Foi durante seus 18 meses no campo de Za’atari que começou a defender o acesso das crianças à educação, particularmente das meninas.

“A história de bravura e força moral de Muzoon inspira todos nós. Estamos muito orgulhosos por ela agora se tornar uma embaixadora do UNICEF e das crianças em todo o mundo”, disse o vice-diretor-executivo do UNICEF, Justin Forsyth.

Muzoon viajou recentemente com o UNICEF para o Chade, um país onde quase três vezes mais meninas que meninos em idade escolar nas áreas de conflito estão excluídas da educação. Ela se encontrou com crianças forçadas a abandonar a escola devido ao conflito do Boko Haram na região do Lago Chade.

Desde o seu retorno, Muzoon tem trabalhado para promover a compreensão dos desafios que as crianças afetadas e desenraizadas por conflitos enfrentam no acesso à educação.

Estima-se que 25 milhões de crianças da escola primária e secundária estejam fora das salas de aula em zonas de conflito. Das crianças que vivem como refugiadas, apenas a metade está matriculada na escola primária e menos de um quarto está matriculada na escola secundária.

A educação em emergências está gravemente subfinanciada. Desde 2010, menos de 2,7% do financiamento humanitário foi gasto em educação. De acordo com a agência da ONU, US$ 8,5 bilhões são necessários anualmente para preencher essa lacuna.