Congolês expôs realidade na República Democrática do Congo ao Comitê Nacional de Refugiados e inaugura enfoque de trabalho que se dedicará ao aprofundamento da realidade das nacionalidades que mais demandam refúgio no país.

O refugiado Charly Kongo, que falou aos integrantes do Comitê Nacional dos Refugiados (CONARE) sobre o conflito em seu país natal, a República Democrática do Congo. Foto: ACNUR/B.Oliveira
No Brasil desde 2008, Charly Kongo de 33 anos trouxe para o Comitê Nacional dos Refugiados (CONARE) a realidade vivida por 3,5 milhões de congoleses, que para fugir da violência e o conflito buscam refúgio em outras regiões da República Democrática do Congo (RDC) e, incluso, outros países como o Brasil.
Essa ocasião marcou a primeira vez que o comitê abriu suas portas para a participação de um refugiado, inaugurando uma nova fase de trabalho que se dedicará ao aprofundamento da realidade de algumas das nacionalidades que mais demandam refúgio no país.
A participação de Charly ocorreu no último dia 30 de julho, durante uma reunião de plenária do CONARE, ocasião em que os membros do comitê avaliam os pedidos de refúgios feitos ao governo do Brasil.
Dos 6.588 refugiados reconhecidos no Brasil, aproximadamente 650 são originários da RDC. A grande maioria sofreu perseguições políticas, étnicas, recrutamentos forçados e violência sexual.
Além de ajudar a esclarecer o contexto das solicitações de refúgio, os depoimentos de refugiados darão subsídios para o programa que o CONARE, em parceria com o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (ACNUR), está preparando para o reassentamento de jovens congoleses.
Atualmente o programa brasileiro de reassentamento de refugiados atende prioritariamente refugiados da Colômbia, tendo beneficiado também refugiados do Afeganistão e da Palestina.
“O CONARE deu um grande salto qualitativo. O depoimento de um nacional se soma à pluralidade de perspectivas – a governamental, a internacional e a militante da sociedade civil – para contribuir para um debate ainda mais rico e qualificar nossa percepção sobre a conjuntura interna de diferentes países de origem dos solicitantes”, avaliou o presidente do CONARE e Secretário Nacional de Justiça, Paulo Abrão.
Entre janeiro e junho de 2014, já chegaram 86 novos casos dessa nacionalidade somente no Rio de Janeiro – e o número não para de crescer. Na reunião do CONARE da qual Charly participou, os membros do comitê aprovaram 22 novos pedidos de refúgio feitos por cidadãos congoleses – entre os 680 casos aprovados pelo Comitê. Saiba mais clicando aqui.