Pelo menos sete morreram em acidente de barco de refugiados e guarda costeira grega, diz ONU

Entre as vítimas, quatro eram crianças. Representante das Nações Unidas pede por medidas que facilitem a chegada dos refugiados, além de seu registro e assistência.

Afegãos em trânsito pela Turquia, desembarcam de um barco na ilha grega de Lesbos. Foto: ACNUR

Afegãos em trânsito pela Turquia, desembarcam de um barco na ilha grega de Lesbos. Foto: ACNUR

De acordo com autoridades gregas e o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (ACNUR), pelo menos sete pessoas foram mortas em um acidente entre um bote de refugiados e a guarda costeira grega nas proximidades da ilha de Lesbos nesta quinta-feira (15). Entre as vítimas, quatro eram crianças. O barco levava 38 pessoas.

Segundo representante do ACNUR, Adrian Edwards, os incidentes mostraram a necessidade urgente de “estabelecer facilidades de recepção apropriadas na Grécia a fim de receber, assistir, registrar e selecionar os que chegam”.

Na quarta-feira (14), 85 botes chegaram na ilha de Lesbos e cerca de 3.500 a 4.000 pessoas estão atualmente na costa norte da ilha, de acordo com informações da ONU.

Edwards lembrou do compromisso da União Europeia de relocar 120.000 pessoas, mas que até o momento relocaram 19. Ele alertou que a previsão para  2016, quando o clima voltar a favorecer as travessias, continuarão uma vez que não há sinais de que as causas de deslocamento dos refugiados em seus países de origem chegarão ao fim.

Crianças desacompanhadas

Menino atravessa sozinho a Macedônia rumo à Sérvia. Foto: UNICEF/Georgiev

Menino atravessa sozinho a Macedônia rumo à Sérvia. Foto: UNICEF/Georgiev

Enquanto isso, o Fundo da ONU para a Infância (UNICEF) lançou um alerta sobre o número de crianças viajando desacompanhadas e os riscos que elas enfrentam nessa jornada, principalmente com a chegada das baixas temperaturas no continente europeu. Segundo a agência, a falta de estimativas precisas sobre a quantidades se deve a que muitas crianças e adolescentes preferem não registrar-se nos serviços disponíveis, com medo de terminarem presos em um país e, desta forma, limitando a possibilidade de reencontrar suas famílias e parentes em outra nação europeia.

Apenas a Macedônia, entre junho e outubro, registrou 3.857 crianças desacompanhadas, mas este número poderia ser duas vezes maior. A missão do UNICEF na Alemanha informou que recebeu vários relatos de violência de gênero e abuso nos centros de recepção e abrigos, cujos autores outros refugiados e migrantes. A agência realiza várias operações em vários dos países-receptores para minimizar os riscos das crianças e trabalha também no plano político para incentivar os governos a tomar medidas mais eficazes neste sentido.