Persistência em políticas unilaterais prejudica processo de paz na Palestina, diz chefe da ONU

Na Turquia, Ban Ki-moon reiterou que assentamentos na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental “são ilegais sob a lei internacional” e “constituem um importante obstáculo para alcançar a paz”.

Assentamento israelense de Har Gilo, na Cisjordânia, próximo à cidade de Jerusalém. Foto: IRIN/Erica Silverman

Assentamento israelense de Har Gilo, na Cisjordânia, próximo à cidade de Jerusalém. Foto: IRIN/Erica Silverman

Em mensagem durante um encontro internacional em Ankara, na Turquia, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, alertou nesta segunda-feira (12) que a persistência em medidas unilaterais por parte dos israelenses e palestinos agravam o cenário na região e prejudicam as chances de uma eventual retomada das negociações.

Lida pelo coordenador especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio, Robert Serry, a declaração aponta que “não escolher em favor da paz e da coexistência segundo a proposta de dois Estados é, de fato, a escolha mais danosa de todas”, classificando a questão de Jerusalém como “talvez a mais divisionista na política internacional atualmente”.

O chefe da ONU também confessou estar “particularmente perturbado” com as crescentes tensões sobre o acesso aos sítios sagrados de Jerusalém.

“A cidade inspira fé e desejo em muçulmanos, judeus e cristãos, devendo permanecer aberta e acessível a todos”, disse, pedindo uma solução que considerasse Jerusalém como a capital comum dos dois Estados.

Ban reiterou que os assentamentos israelenses na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental “são ilegais sob a lei internacional” e “constituem um importante obstáculo para alcançar a paz”.

O encontro acontece duas semanas após a mais recente rodada de diálogos, mediada pelos EUA, entre Israel e Palestina para a obtenção de um acordo de paz.

As conversações têm ocorrido desde agosto de 2013, quando foram retomadas após uma interrupção de quase três anos devido aos assentamentos no território palestino.