Peru e Equador lançam estratégia para melhorar saúde de povos indígenas na fronteira

Governos do Peru e do Equador lançaram no início do mês um plano conjunto para promover a saúde dos povos indígenas que vivem na fronteira entre os dois países. A estratégia vai melhorar serviços de atendimento, incluindo os de medicina tradicional. A iniciativa também prevê o desenvolvimento de uma rede binacional de saúde na região localizada entre os territórios.

Funcionário da OPAS conversa com indígenas da região transfronteiriça entre Equador e Peru. Foto: OPAS

Funcionário da OPAS conversa com indígenas da região transfronteiriça entre Equador e Peru. Foto: OPAS

Governos do Peru e do Equador lançaram no início do mês um plano conjunto para promover a saúde dos povos indígenas que vivem na fronteira entre os dois países. A estratégia vai melhorar o atendimento às populações Achuar, Kichwa, Shuar, Adhwa, Shiwiar e Sapara, fortalecendo serviços de atenção médica, incluindo os de medicina tradicional. A iniciativa também prevê o desenvolvimento de uma rede binacional de saúde na região localizada entre os territórios.

“Não é natural que uma mulher morra ao parir ou que um pai ou uma mãe enterre seu filho. Tampouco é justo que a desnutrição infantil nos povos amazônicos seja três vezes maior que a média nacional”, alertou o assessor em saúde familiar e comunitária da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) no Equador, Adrian Díaz.

O especialista participou de um reunião recente com autoridades dos dois países e representantes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), do Banco Interamericano de Desenvolvimento e da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).

O encontro identificou alguns dos principais desafios de saúde pública enfrentados pelos indígenas da faixa transfronteiriça. Entre os problemas, estão doenças transmissíveis como malária e raiva, a mortalidade materno-infantil, a gravidez na adolescência, a violência de gênero, a desnutrição e problemas de desenvolvimento na primeira infância.

Com o plano binacional, Equador e Peru esperam aumentar a participação das populações na gestão da saúde ao longo da fronteira. Países também planejam capacitar profissionais para que eles consigam pôr em prática uma abordagem intercultural no atendimento.

Díaz enfatizou a importância de políticas específicas para lidar com os determinantes sociais que afetam o bem-estar dos indígenas. Segundo o especialista, também é necessário incorporar nos planos de saúde melhorias nos cuidados para a infância, a fim de garantir o crescimento e desenvolvimento pleno das comunidades fronteiriças.