Piora da situação em Darfur, no Sudão, pode prejudicar processo de paz, alerta ONU

Desde o início do ano, violência fez com que mais de 250 mil pessoas fugissem de suas aldeias e abandonassem seus meios de subsistência. Confrontos intertribais prejudicam acesso de organizações humanitárias.

Chefe da Missão Conjunta da União Africana e das Nações Unidas para Darfur (UNAMID), Mohamed Ibn Chambas (à direita), e o vice-primeiro-ministro do Catar, Ahmed bin Abdullah Al Mahmoud, em reunião em Doha. Foto: Governo do Catar

Chefe da Missão Conjunta da União Africana e das Nações Unidas para Darfur (UNAMID), Mohamed Ibn Chambas (à direita), e o vice-primeiro-ministro do Catar, Ahmed bin Abdullah Al Mahmoud, em reunião em Doha. Foto: Governo do Catar

O chefe da Missão Conjunta da União Africana e das Nações Unidas para Darfur (UNAMID), Mohamed Ibn Chambas, alertou esta semana que a deterioração da segurança na região do Sudão poderia minar o processo de paz e os programas de desenvolvimento.

Em discurso para uma reunião em Doha, no Catar, sobre a implementação do Documento de Doha para a Paz em Darfur (DDPD), Chambas afirmou que o progresso em terra foi fundamental para o sucesso do documento.

Negociado com o apoio do Governo do Catar, o DDPD constitui a base para um cessar-fogo permanente e um acordo de paz abrangente para acabar com o conflito em Darfur.

Desde o início do ano, a violência contínua na região fez com que mais de 250 mil pessoas fugissem de suas aldeias e abandonassem seus meios de subsistência. Os confrontos intertribais prejudicaram o acesso de organizações humanitárias a famílias vulneráveis.

Em julho, Chambas informou ao Conselho de Segurança da ONU que a situação em Darfur – que está entrando em seu décimo ano de conflitos – continua instável, em meio a combates entre as forças do governo sudanês e os rebeldes, a recente onda de ataques contra forças de paz e um aumento na violência interétnica.

O governo sudanês e dois dos principais grupos rebeldes comprometeram-se com o DDPD. O Movimento de Libertação e Justiça assinou no ano passado e o Movimento Justiça e Igualdade assinou um acordo em janeiro de 2013.

Chambas espera que as recentes consultas que manteve em Arusha, na Tanzânia, com dois movimentos não signatários “levem a um resultado mais realista, que vai por fim à violência e inaugurar um ambiente estável e paz duradoura na região e no Sudão como um todo”.