PNUD aborda descarte adequado de produtos que agridem camada de ozônio em evento do SENAI

Aparelhos de refrigeração antigos e fora dos padrões mais sustentáveis e recentes adotados pela indústria devem ser reciclados ou eliminados de forma adequada para não liberarem compostos de flúor, cloro e carbono que destroem a camada de ozônio. Tema foi discutido pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em semana do SENAI que reuniu 3 mil técnicos e estudantes para 28 palestras em São Paulo.

Aparelhos de refrigeração devem ser descartados adequadamente para não liberaram substâncias danosas à camada de ozônio na atmosfera. Foto: Flickr / Peter Morgan (CC)

Aparelhos de refrigeração devem ser descartados adequadamente para não liberaram substâncias danosas à camada de ozônio na atmosfera. Foto: Flickr / Peter Morgan (CC)

Os clorofluorcarbonos (CFCs) demoram até oito anos para chegar à estratosfera e destruir a camada de ozônio. Nesse trecho da camada gasosa que envolve a Terra, as substâncias permanecem ativas por um período de 80 a 100 anos, e basta uma única molécula de CFC para eliminar até 100 mil de ozônio.

Para preservar o escudo que protege o planeta da radiação solar, o Protocolo de Montreal tem impulsionado há quase 30 anos políticas públicas e outros projetos de redução do consumo dos compostos de cloro e flúor nocivos à camada.

Atualmente, um dos desafios enfrentados por governos e indústrias é qual destino dar ao estoque de CFCs e outras substâncias destruidoras da camada de ozônio (SDO) que ficaram armazenados ou que ainda estão ativas em produtos como refrigeradores e aparelhos de ar condicionado.

Para mostrar os avanços do Brasil na área à comunidade técnico-científica, a especialista do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Raquel Rocha, apresentou o projeto “Gerenciamento e Destinação Final de SDO e de Substâncias Alternativas” — implementado pela agência da ONU e o Ministério do Meio Ambiente — na 7ª semana tecnológica SENAI de refrigeração e climatização, realizada em setembro.

“Não devemos liberar essas substâncias na atmosfera em nenhum momento e, depois que o ciclo de vida útil delas acabarem, elas precisam ser descartadas adequadamente”, explicou a assessora técnica do PNUD.

“Países desenvolvidos já possuem um sistema de gerenciamento e descarte adequado bem estabelecido para essas substâncias. O Brasil e outros países já começaram a implementar o projeto também”, disse Rocha.

A iniciativa da pasta federal e da agência da ONU pretende criar um modelo adequado de destinação final desses resíduos no Brasil, além de aprimorar a rede de recolhimento, reciclagem, regeneração e armazenamento de fluidos frigoríficos já instalada no país.

A eliminação definitiva dessas substâncias geralmente é feita pela incineração. “Ela deve ser considerada após esgotar as possibilidades de reciclagem e regeneração do gás”, alertou o diretor da empresa Recigases, Jorge Colaço.

“A incineração é feita apenas por empresas específicas e licenciadas, que são capacitadas para fazer isso adequadamente”, lembrou o gerente-geral da empresa Bandeirantes Refrigeração, Norberto dos Santos.

O incinerador é uma máquina que realiza a destruição térmica das substâncias por meio da combustão, com temperaturas superiores a 900ºC. No processo, as SDO são completamente eliminadas e os gases formados durante a oxidação são filtrados com um refinado sistema de tratamento de emissões atmosféricas. O processo é monitorado por órgãos ambientais competentes.

Treinamento

A 7ª semana tecnológica do SENAI foi organizada com apoio do PNUD, do Ministério do Meio Ambiente e da empresa de cooperação alemã GIZ. O evento gratuito reuniu cerca de 3 mil técnicos e estudantes em 28 palestras em São Paulo.

“O evento abordou todo o ciclo de vida do produto de refrigeração e climatização, desde a fabricação até o descarte e destruição. Encontrar palestras que tratem sobre todos esses temas em um só evento é único no mundo”, ressaltou um dos coordenadores de atividades técnicas do SENAI, Mauro Airoldi.

Segundo a representante da GIZ e especialista do Programa Brasileiro de Eliminação dos HCFCs (PBH), Stefanie von Heinemann, a semana “teve como público-alvo o pessoal que está na ponta, e capacitar esse pessoal é essencial para a gente conseguir realmente reduzir os vazamentos dos gases danosos à camada de ozônio, que estão enormes, por falta de conhecimento ambiental e também por desconhecimento de práticas que reduzem os vazamentos”.