PNUD apoia criação de plataforma on-line de financiamento coletivo para ajudar a população iemenita

Site apoiado pelas Nações Unidas pode ser solução de financiamento para comunidades no Iêmen, já que a falta de meios de subsistência e renda no país agravam o quadro das população afetada pelo conflito.

Inauguração do site Iêmen Nossa Casa, no dia 21 de dezembro. Foto: PNUD

Inauguração do site Iêmen Nossa Casa, no dia 21 de dezembro. Foto: PNUD

A inauguração da plataforma on-line de financiamento coletivo Iêmen Nossa Casa foi comemorada por várias cidades do país na segunda-feira (21). Elaborado com o apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o site conecta a diáspora iemenita com projetos ligados às comunidades afetadas pelo conflito.

O Iêmen Nossa Casa se articula com mais três campanhas: Iêmen Verde, Iêmen Produtivo e Iêmen Inclusivo. Os projetos refletem as necessidades imediatas das comunidades de Saada, Hajjah, Saná, Taiz, Ibb, Hadramaute, Áden e províncias de Abyan.

Segundo o PNUD, a diáspora iemenita assume um papel importante no apoio ao retorno de famílias às suas casas. Estimulados pelo comércio e fugindo dos impactos do conflito, a população do Iêmen passou a vislumbrar oportunidades fora de seu país: entre 6 a 7 milhões de iemenitas se mudaram para mais de 40 países pela Ásia, Europa, África e América do Norte.

Cerca de 3,4 bilhões de dólares são enviados anualmente por meio de canais oficiais de arrecadação, e outra quantidade significativa é enviada por meios informais devido à falta de serviços financeiros no país. Segundo um levantamento feito pelo PNUD em agosto, o acesso por parte das famílias às remessas internacionais caíram pela metade desde março.

Dessa forma, uma importante fonte de renda para milhões está sendo reduzida devido ao conflito. O Iêmen Nossa Casa seria, então, segundo a agência da ONU, uma forma inovadora de capitalizar recursos por meio do financiamento coletivo.

“O processo de recuperação e reconstrução requer a inteira participação do setor privado, tanto dentro quanto fora do país, para o seu sucesso. Iemenitas que vivem na diáspora têm um papel crucial no apoio às comunidades carentes no Iêmen, ajudando a garantir que eles tenham acesso aos benefícios e serviços de que precisam”, afirmou o coordenador residente da ONU e representante residente do PNUD, Jamie McGoldrick.

Enquanto isso, o Programa Mundial de Alimentos da ONU (PMA) apelou nesta quinta-feira (31) para todas as partes do conflito no Iêmen permitirem a entrega de alimentos para centenas de milhares de pessoas que passam fome, na cidade sitiada de Taiz.

Taiz é uma das 10 das 22 províncias do país a alcançar um nível “emergencial” de insegurança alimentar. No total, 7,6 milhões de iemenitas, quase um terço da população, não contam com comida suficiente para manter uma vida saudável, perderam seus meios de vida e enfrentam índices agudos de má nutrição.