PNUD: Classe média no Leste Europeu e na Ásia Central triplicou desde 2001

Nova pesquisa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento revela aumento de 33 milhões de pessoas em 2001 para 90 milhões em 2013. Conquistas, no entanto, estão ameaçadas por desigualdade e desemprego.

Nino Narmania em um ateliê na Geórgia. Foto: Daro Sulakauri/PNUD

Nino Narmania em um ateliê na Geórgia. Foto: Daro Sulakauri/PNUD

Uma nova pesquisa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) divulgada este mês revelou um aumento expressivo na classe média no Leste Europeu e na Ásia Central: de 33 milhões de pessoas em 2001 para 90 milhões em 2013.

Segundo Cihan Sultanoglu, diretora do Escritório Regional do PNUD para a Europa e a Comunidade de Estados Independentes, a proporção de pessoas que vivem com 10 a 50 dólares por dia tem aumentado na maioria dos países.

Durante o mesmo período, o número de pessoas na região que vivem na pobreza diminuiu de 46 milhões em 2001 para aproximadamente 5 milhões em 2013. “Mas os avanços da região estão sob ameaça e será necessário que eles se concentrem em melhorar as perspectivas para um desenvolvimento sustentável”, disse Sultanoglu.

Com a queda dos preços da matéria-prima, a diminuição de remessas e o lento crescimento econômico na Europa, na Rússia e em grande parte do resto da região, a geração de trabalho e renda está desaparecendo. A proporção de trabalhadores em vulnerabilidade laboral em países como Albânia, Geórgia, Quirguistão e Tajiquistão, por exemplo, atinge cerca de 50%, enquanto muitos outros grupos são excluídos.

Segundo a pesquisa, investir na redução da desigualdade de gênero melhorará não só a situação das mulheres, mas também poderá acelerar o crescimento econômico e os níveis de bem-estar da toda a região. Um exemplo disso será a formalização do trabalho de assistência não remunerado, que aumentará positivamente as oportunidades laborais das mulheres.

Em segundo lugar, a região poderá se beneficiar da criação de modelos ambientais de desenvolvimento sustentável. Como muitos países atualmente dependem da extração e do processamento de combustíveis fósseis não renováveis, minerais e metais não ferrosos, o crescimento verde tem o objetivo de diversificar a economia e gerar emprego, enquanto diminui a emissão de carbono e desacelera a deterioração ambiental.

Em terceiro lugar, uma melhor governança é essencial para garantir a participação dos cidadãos na sociedade e na economia, e para garantir também melhor prestação dos serviços sociais básicos. Em todos os países da região, por exemplo, de acordo com a população, a corrupção é considerada o problema número 1 e, para a economia, ela está em segundo lugar.

A desigualdade e a exclusão são a base dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), adotados pelos países da ONU em setembro de 2015 e cujo prazo vence em 2030. Por meio deles, os Estados-membros das Nações Unidas se comprometeram a trabalhar pela erradicação da pobreza, combater as desigualdades, construir sociedades mais pacíficas e inclusivas, além de garantir o futuro do planeta e o bem-estar das futuras gerações.

A pesquisa, apresentada no último dia 9 de fevereiro nos “Diálogos sobre Desenvolvimento”, encontro organizado pelo PNUD Istambul, abrirá caminho para que, no final deste ano, seja publicado o Relatório Regional sobre Direitos Humanos do PNUD.