PNUD participa dos 16 dias de ativismo pelo fim da violência contra mulheres

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) se uniu, mais uma vez, à campanha anual de 16 dias de ativismo contra a violência de gênero, iniciada no domingo (25), Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres.

Em 2018, o tema da campanha é “Pinte o Mundo de Laranja: #MeEscuteTambém”, que segue o rompante de movimentos globais como o #NenhumaAMenos (#NiUnaMenos), #MeToo e #TimesUp para trazer ao primeiro plano as vozes de mulheres e meninas que sobreviveram à violência e que estão lutando por seus direitos diariamente.

Participantes de ato unificado pelo fim da violência contra a mulher, realizado em São Paulo. Foto: Flickr CC/Mídia Ninja

Participantes de ato unificado pelo fim da violência contra a mulher, realizado em São Paulo. Foto: Flickr CC/Mídia Ninja

Mulheres e meninas têm sofrido, em um contexto global, diversos tipos de abuso e violência. E, por muito tempo, a impunidade, o silêncio, a desonra e a vergonha colaboraram para a continuidade dessa violação de direitos humanos. No entanto, nos últimos anos, campanhas de conscientização sobre o tema têm procurado trazer à luz histórias de milhares de vítimas, que precisam ser escutadas com atenção.

É nesse sentido que o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) se uniu, mais uma vez, à campanha anual de 16 Dias de Ativismo contra a Violência de Gênero, iniciada no domingo (25), Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra as Mulheres, e que termina em 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Sob a liderança do secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, a campanha pelo fim da violência contra as mulheres da ONU (UNiTE) tem utilizado, nos últimos anos, a cor laranja como marca de suas atividades globais, de forma a simbolizar um futuro melhor.

Por isso, em 2018, o tema da campanha é “Pinte o Mundo de Laranja: #MeEscuteTambém”, que segue o rompante de movimentos globais como o #NenhumaAMenos (#NiUnaMenos), #MeToo e #TimesUp para trazer ao primeiro plano as vozes de mulheres e meninas que sobreviveram à violência e que estão lutando por seus direitos diariamente. Além disso, a proposta das Nações Unidas é expressar apoio às vítimas de assédio sexual e de outros tipos de abuso, muitas das quais vieram a público ao longo do ano passado para denunciar agressões e agressores.

Na última segunda-feira (19), durante evento que marcou o lançamento da campanha, na sede da ONU, em Nova York, Guterres condenou a violência de gênero. “No seu âmago, a violência contra as mulheres e meninas, em todas as suas formas, é a manifestação de uma profunda falta de respeito, o fracasso dos homens em reconhecer a igualdade e a dignidade inerentes às mulheres. É um problema de direitos humanos fundamentais”.

Tais violações afetam diretamente o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Para a oficial de gênero e raça do PNUD, Ismália Afonso, os 193 países que se comprometeram com as metas da Agenda 2030 reconheceram a necessidade de destacar uma meta específica para a eliminação da violência contra mulheres e meninas e, agora, todos os Estados nacionais, governos, sociedades, organizações, academia e indivíduos têm o compromisso de alcançar esse objetivo comum.

“Afinal, se metade da população vive sob o risco de violência simplesmente por ser mulher, o desenvolvimento humano dos países fica comprometido. A violência estrutura a vida das mulheres de tal forma que impacta diretamente sua expectativa de vida, renda e anos de estudo”, afirma.

Uma série de estudos internacionais tem comprovado o impacto da violência de gênero para o desenvolvimento sustentável. Pesquisa deste ano da Care International indica que o custo da violência contra mulheres pode chegar a cerca de 2% do PIB global. Isso equivale a 1,5 trilhão de dólares, aproximadamente o tamanho da economia do Canadá.

Por sua vez, relatórios recentes do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) estimam que, atualmente, há 650 milhões de mulheres e meninas no mundo que se casaram antes de completar 18 anos. De acordo com a entidade, o casamento infantil geralmente resulta em gravidez precoce, isolamento social, interrupção dos estudos, falta de oportunidades para as meninas e maior risco de violência doméstica.