Relatório apresentado na COP18 mostra que até 135 bilhões de toneladas de carbono presas no hemisfério norte podem ser liberadas.

O relatório Implicações para a Política do Aquecimento do Permafrost, lançado nesta terça-feira (27) pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) durante a Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP18), em Doha, no Catar, alerta para os riscos potenciais enfrentados pelos ecossistemas globais caso estes subsolos árticos congelados derretam e se tornem instáveis.
Caso isto aconteça, enormes reservas de carbono presas sob quase 1/4 do hemisfério norte correm o risco de serem liberadas, desencadeando e contribuindo de forma significativa para o aquecimento global, já que o derretimento do permafrost produziria o equivalente entre 43 e 135 bilhões de toneladas de CO².
O Diretor Executivo do PNUMA, Achim Steiner, enfatizou o papel que o permafrost poderia ter no aumento significativo do aquecimento global: “O permafrost é uma das chaves para o futuro do planeta, pois contém grandes depósitos de matéria orgânica congelada que, se descongelados e liberados para a atmosfera, amplificam o aquecimento global atual e nos levam a um mundo mais quente. Seu potencial impacto sobre o clima, ecossistemas e infraestrutura tem sido negligenciado por muito tempo.”
A maioria do permafrost do planeta se formou durante a última era do gelo, constituindo uma camada ativa de até dois metros de espessura no topo de uma camada de solo congelado.