PNUMA alerta sobre prejuízo que pode ser provocado por acordo climático que desconsidere proteção florestal

Enormes prejuízos financeiros e ambientais poderiam surgir caso acordo pós-Quioto não consiga estimular o investimento do setor privado em esforços de redução do desmatamento e da degradação florestal.

Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP FI)Uma coalizão das instituições financeiras mais famosas do mundo adverte sobre os enormes prejuízos financeiros e ambientais que poderiam surgir caso um acordo pós-Quioto sobre mudança do clima não consiga estimular o investimento do setor privado em esforços de redução do desmatamento e da degradação florestal.

Com o novo relatório, Reddy-Set-Grow Parte II: Recomendações para os negociadores internacionais sobre mudança climática, mais de 200 líderes do setor financeiro, unidos sob uma parceria com a Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP FI), fazem um apelo aos negociadores dos países na Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) para acompanhar, através de seu compromisso feito em 2010 com o Acordo de Cancún, uma arquitetura política internacional para a redução do desmatamento e da degradação florestal nos países em desenvolvimento (um esquema conhecido como REDD+).

O novo estudo afirma que qualquer convenção sobre o clima pós-Quioto que seja negociada em Durban (ou depois) deve incluir um texto que esclareça o papel fundamental do envolvimento e do investimento privado no financiamento de REDD+, assim como medidas efetivas para combater os motores do desmatamento por meio da mudança de comportamento do setor privado no sentido do uso sustentável da terra. Um resultado positivo em Durban também seria enviar um sinal encorajador para a Rio +20, que se realizará em junho do ano que vem e terá como um de seus dois temas-chave a Economia Verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza.

O relatório destaca que a economia e o meio ambiente mundial pagarão um alto preço se os tomadores de decisão não derem a importância necessária a esses critérios.

Um regime sobre mudança do clima que seja ineficaz no ângulo das florestas implicaria em prejuízos correspondentes a US$ 1 trilhão por ano para a economia global até 2100, e afetaria uma boa parte do bilhão de pessoas que dependem das florestas para sua subsistência, de acordo com pesquisas anteriores (Eliasch Review, 2008).

Em contraste, um mercado de carbono saudável com base florestal poderia alcançar a mobilização de investimentos para a proteção e reabilitação das florestas naturais na ordem de US$ 10 bilhões até 2020 (A Economia dos Ecossistemas e da Biodiversidade, TEEB, 2010).

Fundos suficientes para mecanismos REDD+, se obtidos, poderiam ser o impulso fundamental para os esforços para conter o aumento da temperatura global abaixo de 2 graus Celsius — um alvo previamente acordado pelos governos — por meio da intensificação dos atuais esforços para proteger florestas que capturam carbono.

O preço, associado à redução da metade do desmatamento global e da degradação florestal na escala e velocidade necessárias para cumprir as metas acordadas internacionalmente, é íngreme, e já chegou a ser estimado em um valor de US$17 a 40 bilhões por ano (Eliasch Review, 2008; Relatório Economia Verde do PNUMA, 2010).

Com as promessas de governos para o REDD+ somando US$ 7 bilhões, o REDDY-Set-Grow Parte II salienta que fechar esse buraco de financiamento vai exigir o envolvimento do setor privado, que até agora tem permanecido à margem do debate financeiro.

O REDDY-Set-Grow Parte II articula, ainda, outros aspectos que o setor financeiro privado gostaria que decisores políticos incluíssem em um novo tratado sobre as mudanças climáticas, com o objetivo de atrair fundos suficientes para seu financiamento.

Recomendações

Entre as recomendações específicas de políticas que podem ser encontradas no relatório estão detalhes de um cenário político tido como uma “abordagem aninhada”, considerado o mais indicado para fechar a lacuna de investimentos em REDD+.

Sob uma abordagem aninhada, um futuro mecanismo de financiamento REDD+ seria inclusivo, descentralizado e confiável, à prova de vazamentos ou lacunas.

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Nick Nuttall
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