PNUMA destaca benefícios da redução da pegada ambiental das missões de paz da ONU

Novo relatório afirma que operações pós-conflito representam 56% da emissão de gás carbônico do Sistema ONU. Diminuição de impacto reduz custos e melhora proteção e segurança.

Diminuir o impacto ambiental das operações de paz das Nações Unidas pode resultar em maior redução de custos das missões, assim como na melhoria da proteção e segurança das comunidades locais e trabalhadores da ONU, afirma novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente Diminuir o impacto ambiental das operações de paz das Nações Unidas pode resultar em maior redução de custos das missões, assim como na melhoria da proteção e segurança das comunidades locais e trabalhadores da ONU, afirma novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA).

Tornando os Boinas Azuis Mais Verdes: Meio Ambiente, Recursos Naturais e Operações de Manutenção de Paz da ONU” (em tradução livre do inglês) apresenta resultados de dois anos de análise sobre como as missões de manutenção da paz em todo o mundo afetam, e são afetadas, por recursos naturais e o meio ambiente mais amplo.

As 16 missões atualmente lideradas pelo Departamento de Operações de Manutenção da Paz das Nações Unidas (DPKO), com o suporte do Departamento de Apoio Logístico (DFS), constituem a maior pegada ambiental no Sistema ONU.

Em dezembro de 2011, o DPKO tinha 121.591 trabalhadores destacados nas 16 operações. “Estes trabalhadores e a infraestrutura de apoio contribuem para a recuperação e a segurança dos países emergentes de conflitos, mas também colocam demandas consideráveis sobre o meio ambiente local, incluindo os recursos naturais”, registra o documento.

De fato, um inventário de 2008 conduzido pelo Grupo de Gerenciamento Ambiental da ONU calculou que só as operações de manutenção da paz representam mais de 56% da pegada climática total do Sistema ONU – calculada em aproximadamente 1,75 milhão de toneladas de CO² por ano, quase o mesmo tamanho da pegada climática de Londres.

“Tornar o Azul Mais Verde não é apenas nosso lema, também é nosso compromisso para assegurar que os trabalhadores da paz tenham um impacto duradouro e positivo nos países onde são implementados”, disse o chefe do DPKO, Subsecretário-Geral Hervé Ladsous.

Para evitar e minimizar impactos ambientais das missões de manutenção da paz, DPKO e DFS adotaram uma Política Ambiental para as Missões de Campo da ONU em junho de 2009. Ela oferece uma série de padrões operacionais mínimos e exige que cada missão adote objetivos ambientais e medidas de controle em todas as fases da missão.

A política concentra-se numa série de questões, incluindo água, energia, resíduos sólidos e perigosos, esgoto, vida selvagem e a gestão de sítios históricos e culturais. O objetivo da política é diminuir o consumo total de recursos naturais e a produção de resíduos, proteger o meio ambiente local e a saúde pública e estabelecer a manutenção de paz da ONU como um modelo de práticas sustentáveis.

O relatório identifica a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL) como tendo feito o maior progresso ao introduzir práticas ambientais, com iniciativas que vão desde o uso de carros elétricos em sua sede em Naqoura, até geração eficiente de energia e o estabelecimento de uma usina de reciclagem liderada pela comunidade para garrafas plásticas, latas e vidro.

“O caso da UNIFIL ilustra o que todas as missões de manutenção da paz estão agora tentanto alcançar”, disse o Diretor Interino do DFS, Anthony Banbury.

O relatório também recomenda que, para onde diamantes, ouro, petróleo e outros recursos forem fatores num conflito, missões de manutenção da paz deveriam ter um mandato mais sistemático de apoio às autoridades locais em restaurar a administração de recursos naturais, monitorar sanções e processar violações.

Para o Diretor Executivo do PNUMA, Achim Steiner, tratar propriedade, controle e gestão dos recursos naturais é fundamental para manter a segurança e restaurar a economia em países pós-conflito.

Tem havido pouco progresso em considerar e documentar sistematicamente como os recursos naturais podem apoiar, avançar ou prejudicar os objetivos de uma missão de paz, então este relatório é a primeira tentativa de compreender as relações e identificar boas práticas e lacunas”, avaliou.

O relatório é baseado em pesquisa documental, visitas de campo e consultas ao DFS e DPKO, incluindo dez missões de manutenção da paz.