PNUMA: Planos nacionais contra as mudanças climáticas reduzirão emissões em 6 gigatoneladas

Em relatório onde avalia as propostas de cada Estado-membro enviadas à UNFCCC, o PNUMA estima que será necessário cortar mais 12 gigatoneladas para impedir que a temperatura ultrapasse 2ºC até 2100.

Planos nacionais manteriam aquecimento do planeta em torno dos 3ºC e não cumprem objetivo de evitar que a temperatura global ultrapasse os 2ºC. Foto: WikiCommons/Arnold Paul/Gralo

Planos nacionais manteriam aquecimento do planeta em torno dos 3ºC e não cumprem objetivo de evitar que a temperatura global ultrapasse os 2ºC. Foto: WikiCommons/Arnold Paul/Gralo

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) destacou nesta sexta-feira (6) que os planos nacionais para combater as mudanças climáticas, encaminhados pelos Estados- membros à Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) vão reduzir em até seis gigatoneladas as emissões de dióxido de carbono por ano, até 2030. O volume, porém, não garante que a temperatura se mantenha abaixo dos 2ºC até 2100.

Em relatório que avaliou as propostas enviadas por 146 países integrantes da Conferência das Partes da UNFCCC, o PNUMA estima que, somadas, as metas de cada nação, também chamadas Contribuições Pretendidas Nacionalmente Determinadas (INDCs), causariam um impacto significativo nas emissões de gases do efeito estufa. Entre quatro e seis gigatoneladas de dióxido de carbono por ano deixariam de ser liberadas na atmosfera com sua implementação.

As INDCs contêm objetivos específicos que cada país está disposto a cumprir, levando-se em conta as capacidades e circunstâncias nacionais. Os documentos vão formar a base do novo acordo global contra mudanças climáticas, a ser firmado na 21ª Conferência das Partes (COP21) da UNFCCC, que começa em Paris, ao final do mês.

Para alcançar o objetivo de manter a elevação da temperatura abaixo dos 2ºC até o final do século, será necessário cortar mais 12 gigatoneladas, de acordo com o PNUMA. Com as INDCs, o aumento pode chegar a 3ºC. A previsão da agência, porém, supõe que os países não revisariam ou aprimorariam seus esforços depois de 2030, um cenário improvável.

“Para fechar a lacuna (de 12 gigatoneladas) é essencial que o acordo de Paris adote uma abordagem dinâmica na qual as ambições, a mobilização de financiamento para o clima e outras formas de cooperação possam ser ajustadas para cima e em intervalos regulares”, afirmou o diretor executivo do PNUMA, Achim Steiner.

Segundo o chefe da agência da ONU, as INDCs “representam um passo histórico rumo à descarbonização das economias”, ainda que não sejam suficientes para conter o aquecimento do planeta.