Para a relatora especial independente da ONU para moradia, a questão dos desabrigados nos espaços urbanos tem sido ignorada nas discussões sobre desenvolvimento urbano.

Para discutir o direito à moradia adequada, a ONU realiza o Habitat III, uma Conferência sobre Moradia e Desenvolvimento Urbano Sustentável em outubro de 2016. Foto: ONU-Habitat/Luis Brito
“Estou convencida de que podemos acabar com o sofrimento das pessoas sem teto e melhorar as condições de vida de mais de um bilhão de pessoas pelo mundo”, afirmou Leilani Farha, relatora especial independente da ONU para moradia adequada nesta quinta-feira (22) no Terceiro Comitê da Assembleia Geral das Nações Unidas.
A especialista desafiou os governos a melhorarem as condições de vida da população e darem solução aos desabrigados, tratando o direito à moradia adequada como pilar em suas estratégias. De acordo com Fahra, mais da metade da população mundial já vive nas regiões urbanas, mas pouco se fala sobre os direitos humanos na discussão de desenvolvimento urbano.
“A maior parte dos problemas de confronto nas cidades, como o aumento de assentamentos informais, exclusão social e crescimento de desabrigados só será solucionado se o direito à moradia adequada for propriamente entendido e incorporado a todos os aspectos de desenvolvimento urbano”, explicou.
A especialista apresentou um estudo que aponta a desigualdade crescente nos centros urbanos e a segregação entre as diferentes classes sociais. “No caminho atual, a urbanização é simplesmente insustentável”, pontuou.