Segundo o secretário-geral da ONU, as iniciativas para evitar mortes no parto ou devido às complicações relacionadas à gravidez devem se concentrar nas meninas adolescentes.

Meninas em Gudele, bairro na periferia de Juba, no Sudão do Sul. Foto: UNESCO/BRAC
“Apesar de ter visto avanços nos últimos anos, muitas mulheres ainda morrem no parto ou devido às complicações relacionadas à gravidez. A maioria dessas mortes são evitáveis”, disse o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em um evento sobre a mortalidade materna em Nairóbi, no Quênia, nessa sexta-feira (28).
Segundo o secretário-geral da ONU, as iniciativas para triunfar sobre a mortalidade materna devem se concentrar nas meninas adolescentes, permitindo o acesso à escola, o direito de escolher com quem querem casar-se, garantindo proteção de práticas tradicionais nocivas e fornecendo serviços de planejamento familiar adequados. “Quando uma adolescente se encontra a salvo dos perigos e é capaz de escolher quando que ter filhos, ela pode ser salva da infecção do vírus HIV, da hemorragia, de complicações obstétricas, tais como trabalho de parto obstruído e fístula, bem como a morte”, disse ele.
Reduzir a mortalidade materna em três quartos e proporcionar às mulheres acesso universal à saúde reprodutiva até 2015 tem sido um dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) mais lento para ser alcançado. Em sua declaração, o secretário-geral destacou iniciativas como “Cada mulher, cada criança”, de 2010, um esforço para mobilizar e intensificar a ação global para salvar a vida de 16 milhões de mulheres e crianças. Ban ressaltou, também, soluções simples e de pouco investimento, como a formação básica de parteiras para as mulheres nas aldeias.
No entanto, o chefe da ONU alertou sobre o impacto das práticas tradicionais nocivas que afetam a vida das adolescentes, como a mutilação genital feminina, que já atingem cerca de 20% das meninas no Quênia e quase 98% na Somália. “Os governos africanos estão unidos na oposição a mutilação genital feminina e a ONU está dando prioridade a ajudar todas as comunidades a abandonar esta prática”, disse ele.