A luta pela erradicação da fome no mundo precisa de uma abordagem que inclua também o direito a uma alimentação saudável, defendeu na sexta-feira passada (15) o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva. Em palestra na Faculdade de Direito da Universidade da Califórnia (UCLA), em Los Angeles, o dirigente alertou para a epidemia de obesidade e sobrepeso no mundo.

José Graziano da Silva, chefe da FAO, em palesta na Faculdade de Direito da UCLA. Foto: FAO/Todd Cheney
A luta pela erradicação da fome no mundo precisa de uma abordagem que inclua também o direito a uma alimentação saudável, defendeu na sexta-feira passada (15) o diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), José Graziano da Silva. Em palestra na Faculdade de Direito da Universidade da Califórnia (UCLA), em Los Angeles, o dirigente alertou para a epidemia de obesidade e sobrepeso no mundo.
“Precisamos reposicionar nossos sistemas alimentares que visam apenas fornecer comida como sistemas que visam nutrir as pessoas”, disse Graziano durante a palestra.
“De acordo com nossos últimos números, a obesidade e o excesso de peso estão crescendo mais rapidamente que a fome. É uma epidemia. O direito à alimentação saudável deve ser uma dimensão fundamental para a fome zero e para o direito à alimentação em si”, acrescentou o chefe da FAO.
De acordo com o dirigente, garantir o direito à alimentação adequada é mais do que ter comida suficiente sobre a mesa. Significa ensinar as pessoas a se alimentarem e a alimentarem as suas famílias com dignidade. Equivale a garantir que todas as crianças, em todos os lugares, tenham acesso a dietas saudáveis, para que possam alcançar o seu pleno potencial.
Durante a palestra, Graziano lembrou que conheceu práticas de sucesso na Califórnia, no início dos anos 2000, como pós-doutorando no braço da Universidade da Califórnia na cidade norte-americana de Santa Cruz. Entre as políticas no estado que chamaram a atenção do então pesquisador, estavam os bancos de alimentos e os circuitos locais de produção e consumo. Mais tarde, esses exemplos ajudaram Graziano a aprimorar a arquitetura do Programa Fome Zero, no Brasil.
Também presente, Hilal Elver, relatora especial da ONU sobre o direito à alimentação, elogiou o Fome Zero. “Tivemos várias políticas positivas de alimentação, garantindo o direito à alimentação em todo o mundo, e isso ficou particularmente evidente na América Latina”, disse a especialista, que é integrante do Centro Resnick para Legislação e Política Alimentar, da UCLA.
A relatora lembrou que o governo do Brasil, em um período de 15 anos, tirou 20 milhões de cidadãos da pobreza extrema e, desde 2015, o país não faz mais parte do Mapa da Fome da FAO.
Você sabia que tem direito à alimentação?
O direito à alimentação está incluído na Declaração Universal dos Direitos Humanos, que foi endossada por todos os países há mais de 70 anos. Também é garantido em muitos instrumentos internacionais e constituições nacionais. No entanto, os números globais da desnutrição mostram que muitas pessoas não têm acesso regular a uma dieta saudável.
A quantidade de pessoas subnutridas no mundo aumentou nos últimos três anos, chegando a 821 milhões. Mais de 150 milhões de crianças com menos de cinco anos possuem problemas de crescimento porque não têm o suficiente para se alimentar de forma adequada. A FAO também estima que 99 milhões de crianças estejam abaixo do peso e que 50 milhões estejam perdendo peso devido à impossibilidade de adquirir comida. Conflitos e mudanças climáticas são as principais causas por trás do aumento da desnutrição.
A agência da ONU lembra que, ao mesmo tempo, a obesidade está avançando rapidamente, com 672 milhões de adultos obesos em todo o mundo, segundo dados para o ano de 2017.