Políticas de austeridade e reformas laborais aumentaram desigualdade no trabalho na Europa, afirma OIT

Novo livro da OIT ‘Desigualdades no trabalho durante a crise. Testemunhos da Europa’ menciona trabalhadores temporários, pouco qualificados, jovens e mulheres como os principais afetados.

A Organização Mundial do Trabalho (OIT) defende em nova publicação que as medidas de austeridade e reformas laborais adotadas pelos governos europeus durante a crise econômica mundial aumentaram as desigualdades nos locais de trabalho do continente. O livro, intitulado “Desigualdades no trabalho durante a crise. Testemunhos da Europa”, financiado em parceria com a Comissão Européia, inclui dados de 30 países e 14 estudos nacionais realizados por especialistas.

“A mensagem central deste volume pode ser sintetizada em termos muito simples: as desigualdades no trabalho não somente contribuíram para desencadear a crise econômica, mas também pioraram como consequência da própria crise”, explicou assessor especial da OIT para políticas salariais, Daniel Vaughan-Whitehead.

O novo estudo afirma que trabalhadores temporários e pouco qualificados foram fortemente afetados; as taxas de desemprego juvenil são aproximadamente o dobro das taxas dos trabalhadores mais velhos na maioria dos países europeus; e as práticas discriminatórias contra as mulheres agravaram-se desde 2008, ano inicial da crise.

O livro cita exemplos de boas práticas implementadas para enfrentar o impacto da crise. Essas incluem o “milagre alemão” de baixo desemprego, alcançado graças à implementação da jornadas de trabalho reduzida; o caso da Suécia, que aplicou medidas específicas para ajudar os jovens a conservarem seus empregos ou a participar em programas de formação; e o caso da Itália, onde o sistema de “cassa integrazione” contribuiu para conter os efeitos imediatos do desemprego gerado pela crise.

O relatório destaca também a eficácia de políticas industriais financiadas com fundos públicos para apoiar setores em dificuldade, como o da construção e o automotivo.