Polônia: secretário-geral da ONU afirma que mundo não deve esquecer, negar ou minimizar Holocausto

Em visita ao campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, Ban Ki-moon ressalta que as vítimas dessa atrocidade devem ser honradas por meio da garantia da dignidade e das liberdades fundamentais para todos.

Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon visita campo de concentração nazista de Auschwitz-Birkenau, na Polônia. Foto: ONU/Evan Schneider

Durante visita ao campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polônia, onde milhões de judeus e membros de outras minorias pereceram durante a Segunda Guerra Mundial, o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu nesta segunda-feira (18) que as vítimas do nazismo sejam honradas por meio da garantia da dignidade e das liberdades fundamentais para todos.

“Auschwitz-Birkenau não é simplesmente um registro de atrocidades”, disse Ban. “Neste assombroso silêncio, vemos vestígios de vida humana, ouvimos o grito da história e o choro da humanidade. E por meio disso tudo, torna-se cada vez mais claro que cada vida é preciosa. Cada pessoa importa.”

Ban visitou o campo de extermínio após uma viagem aos Estados bálticos e a caminho de Varsóvia para participar da conferência da ONU sobre mudanças climáticas. O secretário-geral disse que nada pode preparar realmente uma pessoa para uma visita ao que ele chamou de “o epicentro do mal, onde o assassinato sistemático atingiu o seu ápice atroz na história da humanidade”.

“Eu olho para as pilhas de óculos, cabelos, sapatos, xales de oração e bonecas e tento imaginar a quem esses objetos pertenciam”, contou Ban. “Permaneço incrédulo perante as câmaras de gás e crematórios – e estremeço com a crueldade de quem projetou esta fábrica da morte.”

Reafirmando a necessidade de lembrar o genocídio contra os judeus europeus, bem como o massacre de poloneses, ciganos e muitos outros durante a guerra, Ban observou que o ódio e a perseguição não acabaram e têm consequências terríveis no Camboja, Srebrenica e Ruanda.

Ban destacou que o antissemitismo ainda mantém sua influência em muitos lugares. Na Europa e em outros continentes, os imigrantes, muçulmanos, ciganos e outras minorias enfrentam uma crescente discriminação – e encontram poucos defensores.

“O mundo nunca deve esquecer, negar ou minimizar o Holocausto”, disse ele. “Devemos nos manter sempre em alerta e temos de fazer mais, muito mais, para promover a igualdade e as liberdades fundamentais.”