População de idosos da América Latina e Caribe deve superar a de crianças em 2036, prevê CEPAL

Gasto público em seguridade e assistência social registrou um aumento significativo nas últimas duas décadas para atender aumento da população idosa. Mas ainda é insuficiente.

A  diminuição da população infantil e o aumento do número de idosos obrigam a uma reconfiguração na maneira como o Estado, a família e o mercado proveem o bem-estar e o desenvolvimento das capacidades dos  habitantes da  América Latina e do Caribe, afirma um estudo divulgado na quinta-feira (09/05) pela Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL). A Comissão prevê que o número de idosos supere pela primeira vez o número de crianças próximo ao ano de 2036.

O documento Envelhecimento, solidariedade e proteção social: a hora de avançar para a igualdade analisa as perspectivas futuras do envelhecimento populacional e sua inclusão na agenda pública. No ano  de 2070 o número de idosos terá quadruplicado na  região. O grupo de pessoas de 60  anos de idade ou mais passou de 5,6% do total da população regional em 1950 para 10% em 2010, e prevê-se que este número chegue a 21% em 2040 e a 33% em 2070. A  nível  regional o gasto público em seguridade e assistência social registrou um aumento significativo nas últimas duas décadas, entretanto apenas 4 de cada 10  latino-americanos de 65 anos ou mais (40%) recebia aposentadorias ou pensões em 2009, enquanto que em países desenvolvidos este número chegou a 75% da população.

O relatório constitui o eixo central dos debates que acontecem na 3ª Conferência  Regional Intergovernamental sobre o Envelhecimento na América Latina e no Caribe, realizada de 8 a 11 de maio em San José, Costa Rica.

Hugo Beteta, diretor da sede sub-regional da CEPAL no México, afirmou que “é primordial prestar maior atenção aos idosos, aos seus interesses, às  suas necessidades, como também às contribuições que podem e devem continuar proporcionando às nossas sociedades”.  A diretora regional para a América Latina e o Caribe do Fundo de População das  Nações Unidas (UNFPA), Marcela Suazo, considerou que “os governos da região têm um desafio urgente de implementar reformas graduais e eficientes tanto  dos  sistemas de saúde e de educação, como de políticas de emprego, mas também do sistema de seguridade social e de pensões não contributivas.”

Mais informações sobre a conferência, incluindo um programa completo do evento, estão disponíveis no site da CEPAL.