Em Santiago do Chile, agência da ONU discutiu agenda de trabalho com líderes, acadêmicos e profissionais indígenas de 20 países da região para promover seus conhecimentos tradicionais na luta contra fome.

Representante Regional da FAO, Raul Benitez, com representantes de povos originários da região.
Os povos indígenas podem dar uma contribuição essencial para a erradicação da fome, insegurança alimentar e desnutrição na América Latina e no Caribe, disse esta semana que o Escritório Regional da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).
Durante o segundo diálogo social entre os povos indígenas e a FAO, em Santiago do Chile, o Representante Regional da FAO, Raul Benitez, afirmou que “é necessário resgatar e promover o conhecimento tradicional que [os indígenas] produziram ao longo dos séculos. Ele contém uma riqueza de estratégia e saberes necessários para avançar para a erradicação da fome em nossa região”.
Estiveram presentes líderes, acadêmicos e profissionais indígenas de 20 países da região. Myrna Cunningham, representante regional do Fórum Permanente sobre Questões Indígenas das Nações Unidas, elogiou a aliança proposta pela FAO para trabalhar no resgate de conhecimentos tradicionais relacionados com a produção de alimentos, nutrição, saúde e os complexo desafios da gestão de riscos ambientais.
De acordo com a FAO, os sistemas alimentares desenvolvidos por estes povos, suas dietas tradicionais e sistemas de produção e manejo sustentável dos recursos naturais são uma herança de valor inestimável, que pode ajudar a encontrar as respostas para os problemas decorrentes dos paradigmas atuais de vida e progresso da sociedade contemporânea.
Apesar da enorme contribuição que podem dar para o desenvolvimento e segurança alimentar, muitos povos indígenas enfrentam altos níveis de desnutrição — eles representam apenas 5% da população mundial, porém são responsáveis por 15% da pobreza extrema.
“Trabalhar com os povos indígenas é uma prioridade para o Escritório Regional da FAO. Nós ouvimos as suas vozes para encontrar novos padrões de produção e consumo. Assim, acreditamos que, apesar da insegurança alimentar e pobreza que muitos enfrentam, eles não são parte do problema, são parte da solução”, acrescentou Benitez.
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