Relatório destaca que apesar do possível aumento da produção mundial de açúcar entre 2013/14, acréscimo deverá ser limitado no Brasil por causa das condições climáticas desfavoráveis que prejudicaram a colheita.

Homens arrumam sacas de cereais. Foto: FAO/Giuseppe Bizzarri
Fontes alimentares melhoradas e uma recuperação dos estoques globais de cereais ajudaram a reduzir a volatilidade dos preços dos alimentos nos últimos anos, afirmou a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) na quinta-feira (7), acrescentando que os preços subiram levemente no mês passado por causa de um aumento do açúcar.
“Os preços das commodities alimentares mais básicas têm diminuído ao longo dos últimos meses. Isso se relaciona com o aumento da produção e a expectativa de que, na atual temporada, teremos fontes mais abundantes, mais disponibilidades de exportação e estoques mais altos”, disse o diretor da Divisão de Comércio e Mercados da FAO, David Hallam.
O forte aumento da produção de cereais neste ano provém majoritariamente de uma recuperação das lavouras de milho nos Estados Unidos e nas colheitas recordes de trigo nas ex-repúblicas soviéticas que agora são membros da Comunidade de Estados Independentes (CEI), disse a agência no recente lançamento do relatório “Previsão dos Alimentos”.
A FAO espera que os estoques mundiais de cereais aumentem 13%, chegando a 564 milhões de toneladas, até o fim de 2014. Os estoques de trigo e arroz também devem aumentar 7% e 3%, respectivamente.
O relatório diz que a importação de alimentos deverá diminuir 3% em 2013, chegando a 1,15 trilhão de dólares, já que a importação de cereais, açúcar, óleos vegetais e bebidas tropicais está caindo e a de laticínios, carnes e peixes se mantendo estável.
Enquanto isso, o Índice da FAO para o Preço dos Alimentos, também publicado neste relatório, subiu ligeiramente no mês de outubro, com média de 205,8 pontos. Um aumento de 1,3% em relação a setembro, porém 5,3% a menos do seu valor em outubro do ano passado.
O ligeiro aumento foi em grande parte impulsionado por um aumento no preço do açúcar, embora os preços dos outros grupos de commodities também tenham subido, observou a agência.
A FAO ainda destacou que apesar do possível aumento da produção mundial de açúcar entre 2013/14, esse acréscimo deverá ser limitado no Brasil, o maior produtor de açúcar do mundo, pois as condições climáticas desfavoráveis prejudicaram a colheita. O consumo mundial de açúcar também deverá crescer cerca de 2% entre 2013/14.
Além do açúcar, a produção de carne e leite também deve aumentar em 2013, com um acréscimo de cerca de 1,4% e 1,9%, respectivamente. Os preços da carne se mantêm em níveis “historicamente elevados” desde o início de 2011, sem nenhum sinal de diminuição global, observou a FAO.