O preço do açúcar subiu 14,8% na comparação com maio, enquanto o Brasil — maior produtor e exportador de açúcar — enfrentou fortes chuvas que prejudicaram a colheita e os rendimentos. O preço dos cereais subiu 2,9% no mesmo período, impulsionado pelos preços do milho, principalmente devido à escassez da oferta de exportação do Brasil.

Carregamento de açúcar no Paraná. Foto: Governo do Estado do Paraná
Os preços globais das commodities subiram 4,2% em junho na comparação com maio, seu mais forte aumento mensal dos últimos quatro anos, disse a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) nesta quinta-feira (7), notando melhoras nas perspectivas de produção para o ano.
O índice de preços dos alimentos da FAO, que acompanha os mercados internacionais de cereais, óleos vegetais, laticínios, carne e açúcar, ficou na média de 163,4 pontos em junho, queda de 1% frente a junho de 2015.
A elevação na comparação mensal, que afetou todas as categorias com exceção de óleos vegetais, foi a quinta consecutiva. O movimento de preços refletiu a atualização das projeções da FAO para a oferta e demanda de cereais para a safra de 2016/17.
O preço do açúcar subiu 14,8% na comparação com maio, enquanto o Brasil — maior produtor e exportador de açúcar — enfrentou fortes chuvas que prejudicaram a colheita e os rendimentos.
O preço dos cereais subiu 2,9% em junho na comparação com maio e estão agora 3,9% menores que em junho de 2015. O aumento mensal foi impulsionado pelo milho, principalmente devido à escassez da oferta de exportação do Brasil. Altos suprimentos de trigo e informações de rendimentos recordes nos Estados Unidos seguraram os preços desse cereal, disse a FAO.
Os preços dos laticínios subiram 7,8% ante maio, diante de um cenário incerto na Oceania e da desaceleração da produção na União Europeia. No entanto, o índice permaneceu 14% abaixo de seu nível de um ano atrás, de acordo com a agência da ONU.
O preço da carne subiu, por sua vez, 2,4% ante maio, enquanto a cotação média de porco, boi e aves subiu pelo terceiro mês consecutivo e os preços dos óleos vegetais caíram 0,8% frente a maio.
FAO eleva previsão de produção de trigo e de consumo de cereal
A produção global de trigo está agora prevista em 732 milhões de toneladas, aumento de 1% frente à previsão de junho, principalmente devido a perspectivas melhores na União Europa, na Rússia e nos Estados Unidos, como resultado de melhores condições climáticas.
A previsão para a produção mundial de milho em 2016 foi, no entanto, reduzida, com a baixa das previsões para a colheita no Brasil e a redução do apoio do governo chinês a esse setor.
No geral, a previsão para a produção de grãos este ano é de 1,31 bilhão de toneladas, 0,6% menos que a previsão do mês anterior, disse a FAO.
A utilização total de cereais no mundo na safra 2016/17 está agora projetada em 2,55 bilhões de toneladas, alta de 1,3% frente à estimada para 2015/16. Como resultado, os estoques globais de cereais até o fim da safra de 2017 devem ficar em 635 milhões de toneladas, queda de 1,5% frente ao nível de abertura.