Primeiro Dia Internacional pelo Fim da Fístula destaca progressos e desafios na área

Países em todo o mundo celebram nesta quinta-feira, 23 de maio, o primeiro Dia Internacional pelo Fim da Fístula Obstétrica, uma das lesões mais graves que podem ocorrer durante o parto. Ocorrerão diversos eventos de sensibilização sobre este desafio negligenciado em termos de saúde e direitos humanos.

Enfermeira escuta o batimento cardíaco de um feto no oeste do Quênia. Foto: PNUD/Allan Gichigi

Enfermeira escuta o batimento cardíaco de um feto no oeste do Quênia. Foto: PNUD/Allan Gichigi

Países em todo o mundo celebram nesta quinta-feira, 23 de maio, o primeiro Dia Internacional pelo Fim da Fístula Obstétrica, com uma variedade de eventos de sensibilização sobre este desafio negligenciado em termos de saúde e direitos humanos.

Uma das lesões mais graves que podem ocorrer durante o parto, a fístula obstétrica é uma ferida aberta na parede vaginal causada pelo parto prolongado e obstruído, devido à falta de assistência médica adequada no tempo devido. Na maioria dos casos, o bebê é prematuro ou morre na primeira semana de vida, e a mulher sofre uma séria lesão, a fístula, que a torna incontinente. Muitas mulheres e meninas com fístula obstétrica são rejeitadas por suas famílias e comunidades, aprofundando o ciclo da pobreza e ampliando seu sofrimento.

“É inconcebível que os mais pobres, as mulheres e meninas mais vulneráveis sofram desnecessariamente com essa condição devastadora que é a fístula obstétrica”, diz Babatunde Osotimehin, diretor executivo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA). “Essas mulheres e meninas mais vulneráveis estão no centro dos esforços do UNFPA para assegurar que todas as gestações sejam desejadas, todos os partos sejam seguros e potencial de cada pessoa jovem seja alcançado.”

As vítimas de fístula obstétrica são geralmente as mais difíceis de serem alcançadas, são muitas vezes analfabetas e têm acesso limitado aos serviços de saúde, incluindo cuidados de saúde materna e reprodutiva. A persistência do problema reflete desigualdades mais amplas e os pontos fracos do sistema de cuidados em saúde, bem como os desafios maiores enfrentados por mulheres e adolescentes, como as desigualdades sócio-econômicas e de gênero, a falta de escolaridade, o casamento e a gravidez precoces, que impedem o bem-estar das mulheres e adolescentes e suas oportunidades.

A Fístula Obstétrica foi praticamente eliminada nos países industrializados, por ser evitável e, na maioria dos casos, reparável cirurgicamente. No entanto, cerca de 2 a 3 milhões de mulheres e adolescentes ainda vivem com a doença no mundo em desenvolvimento, e mais de 50 mil novos casos surgem a cada ano.

Nos últimos 10 anos, o UNFPA apoiou diretamente mais de 34 mil mulheres e meninas que receberam tratamento cirúrgico para fístula — cerca de um terço das intervenções realizadas globalmente –, incluindo 7 mil mulheres e adolescentes somente em 2012. Entidades parceiras têm apoiado outras milhares de cirurgias como parte da Campanha pelo Fim da Fístula, lançada em 2003 pelo UNFPA com um amplo grupo de parceiros. A Campanha é baseada em três estratégias principais: prevenção, tratamento e reinserção social das sobreviventes da Fístula. Reunindo mais de 80 organizações parceiras internacionais e centenas de outras entidades em nível nacional e comunitário, a Campanha triplicou de tamanho desde a sua criação e está sendo desenvolvida atualmente em mais de 50 países da África, Ásia, Países Árabes e América Latina.

Iniciativas inovadoras em todo o mundo, incluindo os contextos mais distantes e difíceis, estão mudando o futuro de mulheres e adolescentes que sofrem de fístula. Uma dessas iniciativas é a parceria entre a empresa de telefonia Vodafone e o Hospital de Reabilitação Integral Comunitária (CCBRT) na Tanzânia: para ajudar pacientes de áreas distantes a pagar por suas idas ao hospital para o tratamento da fístula, o CCBRT começou a utilizar em 2009 o sistema bancário da Vodafone, através do qual o hospital transfere dinheiro via SMS a “embaixadores comunitários” que, por sua vez, compram passagens de ônibus para as pacientes locais que não podem pagar pela viagem . Isto resultou no aumento do número de pacientes que procuram tratamento para fístula no CCBRT, de cerca de 150 mulheres em 2009 para mais de 500 em 2012.

No ano passado, a Assembleia Geral da ONU designou o 23 de maio como o Dia Internacional oficial pelo Fim da Fístula Obstétrica. Eventos previstos para a data incluem um evento especial na sede das Nações Unidas, em Nova York, com a participação de sobreviventes da fístula, militantes e profissionais que dedicaram suas carreiras ao fim desta condição de saúde devastadora. Além disso, os parceiros da Campanha e o UNFPA lançarão uma série de eventos em todo o mundo, em apoio à luta para acabar com esta injustiça mundial de uma vez por todas.

Para mais informações, favor contatar:
Mandy Kibel: Tel: +1 212 297 5293; kibel@unfpa.org
Omar Gharzeddine: Tel: +1 212 297 5028; gharzeddine@unfpa.org