Mortes, violência sexual, mutilações, tortura, detenções arbitrárias e negação de acesso à ajuda humanitária estão entre as violações registradas de 1º de março de 2011 a 15 de novembro de 2013.

Crianças sírias se abrigam na entrada de uma casa em área afetada pelo conflito. Foto: UNICEF/Alessio Romenzi
As crianças sírias foram submetidas a sofrimentos “indescritíveis” nestes quase três anos de guerra civil, afirma o primeiro relatório das Nações Unidas sobre o assunto. Entregue na segunda-feira (3) ao Conselho de Segurança, o documento lista uma série de horrores sofridos pelas crianças do país desde o levante contra o presidente Bashar al-Assad.
O relatório, que abrange o período de 1° de março de 2011 a 15 de novembro de 2013, responsabiliza o governo e milícias aliadas por incontáveis mortes, mutilações, prisões, detenções arbitrária, maus-tratos e tortura de crianças, além do uso desproporcional e indiscriminado de armamento e táticas militares.
Já as forças da oposição são responsabilizadas pelo recrutamento de jovens para o combate e funções de apoio, assim como pela condução de operações militares, o que inclui o uso de táticas de terror em áreas povoadas por civis, levando a mortes de civis.
O relatório também destaca o desaparecimento de muitas crianças e observa que todas as partes no conflito dificultaram seriamente a entrega de ajuda humanitária nas áreas mais afetadas. Alerta, ainda, que as crianças experimentaram um alto nível de estresse como resultado de terem testemunhado a morte de membros da família, de terem sido separadas dela ou de terem sido expulsas de suas casas.
“As violações devem chegar a um fim agora”, diz o secretário-geral, Ban Ki-moon, no relatório. “Peço, portanto, a todas as partes no conflito que tomem, sem demora, todas as medidas para proteger e defender os direitos de todas as crianças na Síria.”
Em sua lista de recomendações, o chefe da ONU pede a todos os lados que parem as graves violações contra crianças e os ataques indiscriminados e desproporcionais em áreas civis; apela também para que o acesso humanitário seja liberado e que todas as mulheres e crianças detidas sejam imediatamente libertadas.