Principais desafios e prioridades da ONU: secretário-geral apresenta novo relatório

Agenda de desenvolvimento pós-2015, combate às mudanças climáticas, situação na Síria e assistência humanitária estão entre os principais tópicos.

Na sede da ONU em Nova York, bandeiras de todos os países estão expostas. Foto: ONU/JC McIlwaine

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, apresentou nesta terça-feira (3) para a Assembleia Geral das Nações Unidas seu relatório sobre o trabalho realizado pela organização no ano passado, destacando as novas prioridades e desafios. No documento anual, Ban diz que a ONU está se adaptando às novas realidades, como um nível sem precedentes de interconectividade e o desemprego provocado pela crise econômica global — o que aumenta tanto a desigualdade dentro e entre os Estados, quanto a degradação ambiental.

O secretário-geral apresentou também alguns dos grandes desafios que a ONU enfrenta, como a criação de uma agenda de desenvolvimento pós-2015, a necessidade de combater as alterações climáticas, a ajuda às transições democráticas, os novos métodos para manter a paz e segurança — como a mediação e a manutenção da paz –, a promoção dos direitos humanos, o desarmamento e o controle de drogas, entre outros.

No documento, Ban avalia as recentes consultas realizadas em todo o mundo para ajudar a organização a criar um agenda de desenvolvimento pós-2015,  e afirma que estas consultas foram uma forma de  trazer as vozes de todo o planeta e envolver todos os cidadãos na elaboração de um documento inclusivo, usando sempre como base as oito metas de combate à pobreza conhecidas como os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM).

O relatório afirma também que durante o ano passado os desastres naturais causaram mais de 100 bilhões de dólares em danos, causando “uma visão preocupante” de como será o futuro se a agenda de desenvolvimento não enfrentar a ameaça das mudanças climáticas.

Em relação aos novos métodos para manter a paz, o secretário-geral usa como exemplo um novo tipo de missão nessa área, a estrutura da ONU na República Democrática do Congo (RDC). Criada em um esforço conjunto com o Banco Mundial e todos os países da região, ela tem por objetivo abordar as causas dos ciclos repetidos de violência, e tentar levar a paz para os congolenses.

Neste país africano, o Conselho de Segurança da ONU autorizou a criação de uma brigada de intervenção junto à Missão das Nações Unidas para a Estabilização na RDC (MONUSCO), que está autorizada a realizar operações ofensivas, para neutralizar e desarmar grupos violentos.

No relatório, Ban também aborda as ameaças mais complexas que fazem com que a ONU implemente missões de paz em locais instáveis, onde as hostilidades estão em curso e acordos políticos ainda não foram alcançados. Esse foi o caso da Missão de Estabilização das Nações Unidas no Mali (MINUSMA), implantada em maio para apoiar o diálogo político nacional e o processo eleitoral, bem como reforçar a autoridade do Estado, estabilizar os principais centros populacionais e proteger os civis.

Ban também manifesta o seu desapontamento sobre os acontecimentos na Síria, dizendo que a morte de mais de cerca de 100 mil pessoas e o deslocamento de dois milhões são “uma mancha em nossa consciência coletiva e uma lembrança sombria de que os custos da guerra são medidos não só em vidas perdidas, mas nas economias e infraestruturas destruídas, nos locais históricos preciosos em ruínas, frágeis laços sociais separados e toda uma região desestabilizada com consequências potencialmente duradouras”.

Outra área de prioridade ao longo dos últimos 12 meses foi a coordenação da assistência humanitária, pois os conflitos deslocaram milhões e os desastres naturais causaram prejuízos econômicos de cerca de 138 bilhões de dólares. O chefe da ONU afirmou que os países ainda são melhores em responder do que prevenir crises, acrescentando que neste ano a organização trabalhou para melhorar a colaboração entre as agências humanitárias e de desenvolvimento para gerenciar os riscos e lidar com as vulnerabilidades subjacentes.

O secretário-geral também demonstra preocupação com o crime organizado, que afeta países na África Ocidental, América Latina e Europa.

Na conclusão, ele afirma que a ONU vai continuar se adaptando a um ambiente global em mudança, além de maximizar a transparência de suas ações enquanto miniminiza seus custos administrativos.