Prisão de defensores dos direitos humanos no Irã preocupa Alto Comissariado da ONU

ACNUDH pede libertação imediata de detidos por exercer pacificamente seus direitos fundamentais. Ativista é condenado a 9 anos de prisão por propaganda contra o sistema.

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) declarou nesta terça-feira (2) estar seriamente preocupado com a prisão de uma série de proeminentes defensores dos direitos humanos, jornalistas e ativistas políticos no Irã ao longo das últimas duas semanas. “Pedimos ao governo do Irã que liberte imediatamente todos os detidos por exercer pacificamente seus direitos fundamentais”, disse o porta-voz Rupert Colville, em Genebra, Suíça.

O ACNUDH está particularmente preocupado com a prisão, em 29 de setembro, de Mohammad Ali Dadkhah, fundador do Centro para Defensores de Direitos Humanos, sentenciado a 9 anos sob acusação de “associar-se à organização que busca derrubar o governo e fazer propaganda contra o sistema”.

Outros casos de destaque são as prisões da advogada Nasrin Sotoudeh, uma das finalistas do prêmio Martin Ennals de direitos humanos; do diretor do Daily Shargh, Mehdi Rahmanian, cujo jornal foi fechado por publicar uma charge; do diretor da agência estatal de notícias IRNA, Ali Akbar Javanfekr, por insultar o líder supremo Ayatollah Ali Khamenei. A operação da Reuters também foi suspensa – a chefe do escritório, Parisa Hafezi, é acusada de espalhar mentiras. Em 22 de setembro, os filhos do ex-presidente Akbar Hashemi Rafsanjani, Faezeh Hashemi e Mehdi Hashemi Rafsanjani, também foram detidos por participação nos protestos contra o governo em fevereiro de 2011. Rafsanjani foi exilado em Londres.

“Advogados, defensores de direitos humanos e mídia independente são uma contribuição-chave em sociedades democráticas e devem ter permissão para desempenharem seus trabalhos sem enfrentar intimidação, assédio, prisão e perseguição”, destacou Colville. “As prisões e condenações severas impostas a essas figuras refletem uma tendência perturbadora aparentemente destinada a limitar a liberdade de expressão, opinião e associação, que estão garantidas pela Convenção Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, da qual o Irã é um Estado-Partes.”