Prisões de repórter e de vítima de estupro na Somália preocupam ONU

Ban Ki-moon quer que seja respeitado um processo judicial justo e transparente para os condenados. Chefe de direitos humanos pede reabertura do caso.

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon. ONU Foto/Eskinder Debebe

O Secretário-Geral da ONU, Ban Ki-moon, expressou nesta terça-feira (05) sua profunda decepção sobre as sentenças de um ano de prisão proferidas também na terça em Mogadíscio, capital somali, contra uma mulher que alegou sofrer estupro por membros das forças de segurança da Somália e um jornalista, Abdiaziz Abdinur Ibrahim, que a entrevistou.

“O Secretário-Geral exorta o Governo da Somália a garantir que todas as acusações de violência sexual sejam investigadas plenamente e seus autores sejam levados à justiça”, disse o porta-voz de Ban em um comunicado. O chefe da ONU também quer o direito de um processo judicial justo e transparente para o jornalista e para a vítima de estupro.

A recém condenada alegou ter sido vítima de estupro em setembro de 2012 por homens armados com uniformes do governo quando vivia em um campo para deslocados internos. Ela foi presa no mês passado sob a acusação de ofender a honra de uma instituição do Estado.

Ibrahim também foi condenado pela mesma ofensa e por ter apresentado uma falsa entrevista, apesar de nunca ter publicado a conversa com a suposta vítima.

A Alta Comissária da ONU para os Direitos Humanos, Navi Pillay, afirmou nesta quarta-feira (6) que as duas condenações põem em perigo a luta contra a violência sexual e que os casos sejam reabertos o mais rapidamente possível.

“O abuso sexual nos campos para pessoas deslocadas na Somália é um problema real, e qualquer esforço para expor, denunciar e coibir estes crimes deve ser apoiado”, disse Pillay. A Comissária acrescentou ser perturbador o fato de uma mulher que alegue ser vítima de estupro seja condenada por relatá-lo e que o jornalista seja preso por investigar o caso.

“Este é um terrível golpe para a liberdade de expressão em um país onde os jornalistas independentes também têm sido regularmente alvejados e mortos”, afirmou Pillay.