Produção de grãos do Brasil deverá ultrapassar 222 milhões de toneladas até 2022, diz FAO

Previsão da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) destaca que o Brasil já é um dos maiores exportadores de alimentos do mundo. Para manter produção elevada, país precisará investir em infraestrutura, inclusão social e pesquisa e desenvolvimento. Desafio é produzir mais gastando menos, segundo o representante nacional da agência da ONU, Alan Bojanic.

Produção de grãos no Paraná. Foto: ANPr / Jonas Oliveira

Produção de grãos no Paraná. Foto: ANPr / Jonas Oliveira

Até 2022, a produção de grãos do Brasil deverá ultrapassar as 222 milhões de toneladas, informou o representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Alan Bojanic, na última segunda-feira (26), durante o 31° Congresso Nacional de Milho e Sorgo, no Rio Grande do Sul. Segundo a agência da ONU, a expansão da agropecuária brasileira fará do país um dos maiores exportadores de alimentos.

A última safra de grãos do Brasil (2014/2015) produziu cerca de 207,7 milhões de toneladas. Para o período 2015/2016, o governo prevê que os números sejam superiores a 210 milhões.

Bojanic explicou que no futuro o país terá vantagens competitivas na conjuntura global devido às demandas por cereais e carnes. A produção brasileira também estaria preparada para participar dos mercados asiático e africano, cuja importância tende a crescer.

Até 2050, as projeções da FAO estimam que a população do planeta deverá chegar a 9,3 bilhões de habitantes. Setenta porcento desse contingente ocupará áreas urbanas.

“Para alimentar essa população, a produção de alimentos deverá aumentar em 70%, sendo que a produção de cereais terá que atingir as 3 bilhões de toneladas por ano em relação aos 2,1 bilhões produzidos atualmente”, afirmou o representante da agência da ONU.

Dados de 2014 da Organização Mundial do Comércio (OMC) indicavam que o Brasil já havia conquistado a terceira posição entre os maiores exportadores mundiais de alimentos. O ranking era liderado pela Europa e os Estados Unidos.

No entanto, de acordo com Bojanic, para se manter nesse patamar estratégico, o país terá de investir mais em inclusão social, infraestrutura e expansão da pesquisa e desenvolvimento. Ampliar a articulação internacional e expandir a assistência para grupos vulneráveis também são caminhos que o Estado deve contemplar em suas políticas, disse o representante da FAO.

“O país apresenta boas experiências para serem compartilhadas. O grande desafio é produzir mais alimentos com menos recursos”, disse.

Desafios globais

O Brasil também não está livre de outros riscos que ameaçam a produção de alimentos em todo o planeta, alertou Bojanic. “O aquecimento global é o grande desafio que os países têm para produzir alimentos. Temos que nos preparar para contornarmos problemas sérios, como a erosão dos solos e a contaminação e o mau uso da água”, disse.

O representante da FAO afirmou ainda que “além do plantio direto, temos que pensar em práticas sustentáveis, a exemplo da ILPF (sistemas de integração entre lavoura, pecuária e floresta), que promovam a preservação das nascentes e dos solos”.

“Há necessidade de desenvolvimento de cultivares com maior tolerância à seca, por exemplo, e a adoção de boas práticas de manejo do solo. Outro aspecto fundamental é a redução dos desperdícios na colheita, no transporte e no armazenamento de alimentos”, ressaltou o especialista.